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As raízes da felicidade e do sofrimento

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“Onde quer que vivamos, seja qual for a nossa cor, cultura ou religião, todos queremos evitar o sofrimento e encontrar uma fonte estável de contentamento e satisfação. Dentre os vários reinos da experiência, o reino humano oferece a maior oportunidade para a realização deste desejo. Como seres humanos, podemos operar mudanças utilizando a mente. Ao contrário dos animais, temos o dom de entender conceitos complexos. Podemos contemplar o que ouvimos ou lemos e validar ou refutar esses conceitos, agindo de acordo com nossas convicções, não com uma fé cega, mas após exame e análise detalhados. Por isso, este corpo humano, junto com a mente, constitui um veículo único e precioso que tem o potencial de nos levar além de todo o sofrimento ainda nesta vida.

Por que, então, não conseguimos evitar o sofrimento ou manter os momentos fugazes de felicidade? Por não sabermos o que evitar e o que aceitar na busca pela felicidade duradoura. A motivação autocentrada nos leva a agir de um modo que apenas produz mais sofrimento, e que obscurece ainda mais as verdadeiras fontes de felicidade. A nossa tendência é de nos concentrarmos naquilo que não temos – nossa lista de desejos – e de nos fixarmos em dificuldades que são superáveis. Essa insatisfação nos cega para nossas qualidades inerentes e impede que as usemos para beneficiar nós e os outros. É como alguém que, tentando ficar mais saudável, tomasse veneno por engano, adoecesse e morresse; voltasse a vida no dia seguinte tomasse o mesmo veneno, adoecesse e morresse, repetindo o processo infinitamente. Essa é a situação em que todos os seres humanos se encontram.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 10, Ed. Makara.

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Vida Humana Preciosa

Nós, seres humanos, temos a constituição física e mental perfeita para mudarmos a mente comum e revelarmos a sua verdadeira natureza; temos liberdade suficiente para determinarmos a direção da nossa existência e acesso aos métodos para transcender completamente o sofrimento. Nessa vida humana preciosa, podemos usar nosso corpo, fala e mente de forma negativa para causar mal a nós mesmos e aos outros; de forma positiva, para aumentar nossas nossas boas qualidades e, assim, criar mais benefícios; ou, em última instância, podemos usá-los para encontrar a felicidade duradoura, além das experiências fugazes, instáveis e cíclicas de prazer e dor dentro do samsara.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 12, Ed. Makara.

Tonglen: Dar e Tomar para si

De início, pode ser difícil pensar em tomar para si o sofrimento de todos ao mesmo tempo. O processo pode parecer devastador ou abstrato demais. Em vez disso, comece visualizando um ou dois seres, cujo sofrimento seja particularmente comovente para você, por quem seja fácil sentir compaixão. Contemple o sofrimento deles e coloque-se naquela situação, imaginando o que é passar por aquilo. Quando a compaixão surgir, com o desejo fervoroso de aliviar o sofrimento e assegurar a felicidade deles, faça a seguinte meditação:

Siga o ritmo natural da respiração. Visualize que, quando você inspira pelo nariz, toma para si todas as causas e condições do sofrimento daqueles seres na forma de uma luz mortiça e escura. Imagine que eles se libertam completamente de seu penar. A cada expiração, visualize que você está enviando, e eles estão recebendo, na forma de uma luz pura e radiante, todas as suas qualidades positivas e amorosas, e todas as fontes concebíveis de felicidade duradoura.

Repita a meditação, dessa vez visualizando uma ou duas pessoas pelas quais você sinta intensa raiva ou aversão. Expanda a visualização para incluir todas as pessoas por quem você sente isso. Conforme sua meditação se aprofunda e seu coração se abre, aumente aos poucos o âmbito de sua visualização, incluindo grupos maiores de pessoas, até que seu amor e compaixão abracem todos os seres por toda a existência.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 6, Ed. Makara.

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Fonte da imagem: https://teenbuddha.com/2013/03/03/what-is-compassion/

 

A fonte de todas as dificuldades e conflitos está na mente. Portanto, a solução de todas as dificuldades e conflitos está na transformação da mente. Para isso, praticamos a meditação.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, Ed. Makara.

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Imagem extraída do site Maryworks.

Como Lidar com os Venenos da Mente

Em vez de se concentrar no comportamento de todos os outros como quem olha por uma janela, observe sua mente como se olhasse num espelho. Se o que vir for julgamento, orgulho ou preconceito, pratique as meditações sobre a equanimidade. Se encontrar apego egoísta ou avareza, use o antídoto da compaixão. Se enxergar medo ou aversão, use o antídoto do amor e pratique a meditação do dar e tomar para si. Se notar inveja e competitividade, alegre-se com a felicidade dos outros. Se estiver confuso e inseguro sobre o que fazer, interna ou externamente, pergunta-se o que pode trazer benefícios e o que pode trazer danos.

Depois, deixe a mente descansar. Reze para ter clareza, e deixa a mente descansar mais uma vez. Lembre-se que a sua experiência, por mais vívida que possa parecer, é uma miragem, uma manifestação da sua mente. Examine cada aspecto de sua experiência externa e interna até se convencer de que ela é vazia, ilusória, como um sonho. Deixe a mente relaxar.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, Ed. Makara.