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Somos sonhadores…

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“Somos sonhadores e vivemos os sonhos curtos da noite dentro deste sonho longo da vida, dentro do sonho ainda mais longo do vir-a-ser do samsara. Foi-nos ensinado que as experiências do nosso cotidiano são reais e verdadeiras, e é isso o que supomos; portanto, quando alguma coisa difícil acontece, nós sofremos. Também foi- nos ensinado que nossos sonhos são uma ilusão; portanto, tendemos a sofrer menos com nossos pesadelos do que com os acontecimentos da vida cotidiana. O mundo do sonho vem e vai, é claramente impermanente e, portanto, pensamos que não é real. Entretanto, o mesmo é verdade em relação à realidade do nosso cotidiano. Ela, igualmente, é impermanente. A única diferença entre eles é o seu tempo de duração.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”.

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Como podemos purificar o carma negativo?

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Como podemos purificar o carma negativo? Como mudá-lo? Como podemos nos liberar do sofrimento? Será que adianta rezar para Deus ou para Buda?

Sim e não. Repetir o nome do seu médico, da manhã até a noite, milhares de vezes, quando você estiver doente, não o curará… Agora, se você seguir as instruções do médico, haverá mudanças; se não seguir, elas não ocorrerão por si mesmas. Se você não agir de acordo com as orientações do médico e apenas rezar, esperando uma cura, a cura é praticamente impossível. É necessário seguir a prescrição médica. Da mesma maneira, Deus, Buda nos deixaram métodos para mudarmos o fluxo dos pensamentos negativos e criarmos bons pensamentos, pensamentos virtuosos. Com isso, diminuímos as ações negativas e incrementamos as ações positivas, virtuosas.

[…]

Ao rezar, conectamo-nos com as bênçãos dos seres iluminados que sempre estiveram presentes. Não conseguiremos coletar água da chuva se colocarmos no quintal um balde emborcado. Da mesma maneira, se não abrirmos a mente por meio de orações, não receberemos as bênçãos dos seres iluminados.

Para que possamos nos conectar com essas bênçãos, em primeiro lugar, precisamos ter fé. E, ao mesmo tempo em que temos fé, precisamos seguir um método. Mesmo gostando muito de um médico, sem ter fé nele, dificilmente usaremos o medicamento que ele prescreveu; sem usar o medicamento, não há cura. Ter fé no médico, mas não seguir suas orientações, também não conduz à cura.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “O Caminho Budista”.

Temos que fazer uso do momento…

Chagdud Rinpoche em luz La Tour

O corpo, a fala e a mente, bem como a oportunidade preciosa que eles oferecem, não são mais duradouros ou reais do que uma bolha; não mais permanentes ou consistentes do que um sonho. Temos que fazer uso do momento, antes que ele se perca, e a impermanência cobre seu preço.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 12.

Quando tomamos consciência do sofrimento…

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“Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, isso nos motiva a encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos remédio.

Ao compreender que a virtude e a desvirtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou de tristeza, de prazer ou de dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar as nossas ações e cultivar qualidades virtuosas buscando liberação para nós e para todos os seres, ou podemos continuar a criar desvirtude, perpetuando o sofrimento.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 11.

O Significado Espiritual de Liberdade e Oportunidade

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“O Sutra do Bodisatva Essência do Espaço contém um diálogo entre um bodisatva, Namke Nyingpo, e Buda Shakiamuni. O bodisatva pergunta a Buda:

 Qual o significado espiritual de liberdade e oportunidade?

O Buda responde:

 Quando a mente está distraída pelo pensamento discursivo, há inquietação e atividade. Quando a mente experimenta paz ao serenar o pensamento discursivo e dissipa esse pensamento no espaço básico da mente, há descanso.

Além do sentido “externo” de liberdade  ter oportunidade para praticar — , existe o sentido “interno” de liberdade, o potencial exclusivo do ser humano de vivenciar o relaxamento natural da mente, o desfazer do pensamento discursivo. Até que venhamos a vivenciar a liberdade nesse sentido interno, nossa prática do Darma não será muito eficaz, porque estaremos perpetuamente distraídos por pensamentos e conceitos.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 12.

Dica de Leitura

Chaves Para a Felicidade e Para Uma Vida Significativa, de Kyabgon Phakchok Rinpoche (Editora Makara, 2013).

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Neste livro, Phakchok Rinpoche compartilha conosco pontos simples que podem nos ajudar a ter uma vida significativa — uma vida feliz, satisfatória — e a nos tornarmos verdadeiramente humanos, capazes de beneficiar nós mesmos e também os outros.

Fonte: Editora Makara.

A Inseparabilidade da nossa Mente e da Mente do Lama

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“A essência da prática chamada de guru ioga é nos apoiarmos em um professor para alcançarmos a liberação. Guru é o termo em sânscrito para lama, ou mestre espiritual. […] Por meio da guru ioga, a realização que o lama possui da natureza pura da mente desponta como realização em nosso fluxo mental.

A compreensão na guru ioga de que o lama é a união de todas as fontes de refúgio apressa nosso progresso no caminho. […]

O lama corporifica as Três Joias, que são o Buda, o Darma e a Sangha; as Três Raízes, que são o lama, o yidam e a dakini; a deidade da prosperidade; os protetores do Darma e os três kayas.

[…] Embora não tenhamos carma para ter recebido ensinamentos diretamente de Buda Shakiamuni, o lama fala como Buda teria falado e utiliza meios para nos guiar que Buda teria utilizado.

Recebemos as bênçãos do lama de forma direta por meio de iniciações, instruções e orientação para nossa prática. O lama nos apresenta ao fato de que a existência cíclica é uma estado de sofrimento, à necessidade de buscarmos liberação desse sofrimento e aos meios para isso.

Após ouvir e aplicar os ensinamentos do lama, começamos a experimentar um espírito de renúncia: nos afastamos de pensamentos e de ações contraproducentes ao desenvolvimento espiritual e cultivamos aqueles que são frutíferos. Onde havia ignorância, agora há alguma compreensão. Onde havia apenas mente comum conceitual, agora experimentamos a sabedoria. Nossos interesses autocentrados, sempre presentes, bem como os venenos da mente, lentamente diminuem, e a capacidade de lidar com eles aumenta. Nossa percepção do mundo começa a mudar. Essas são todas bênçãos do lama.

[…] Ao nos amadurecer por meio de iniciações, ao nos liberar por meio de ensinamentos e ao sustentar nossa prática com bênçãos e inspiração, o lama nos capacita a vivenciar diretamente a verdadeira natureza da mente.

[…] Compreendemos que, por meio da compaixão, da realização e das bênçãos do lama, bem como da fé, devoção e desejo de emular essas qualidades, teremos a experiência da inseparabilidade da nossa mente e da mente do lama.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 21.

A Prática da Meditação no Cotidiano

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“Na prática da meditação no cotidiano, trabalhamos com dois aspectos da mente: sua capacidade de raciocinar e conceitualizar – o intelecto – e a qualidade que está além do pensamento – a natureza não conceitual e ilimitada da mente. Utilizando a faculdade racional, você contempla. Depois deixe a mente repousar. Pense, e então relaxe; contemple, e então relaxe. Não use um ou outro exclusivamente, mas os dois juntos, como as asas de um pássaro.

Isso não é algo a ser feito apenas quando você está sentado em uma almofada. Você pode meditar assim em qualquer lugar – enquanto guia o carro, enquanto trabalha. Não há necessidade de objetos especiais nem de um ambiente especial. Essa meditação pode ser praticada em todas as circunstâncias da vida.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 5.

Pergunta e Resposta

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PERGUNTA: Se alguém que viveu uma vida virtuosa sofre um acidente e passa por grandes dificuldades, é difícil ver esse infortúnio como sendo resultado de uma ação negativa que a pessoa cometeu 500 mil vidas atrás. Não me parece justo.

RESPOSTA: Se plantarmos arroz, trigo e cevada indiscriminadamente em um campo, não poderemos nos queixar sobre a mistura confusa de grãos na hora da colheita. Se não queríamos isso, não deveríamos ter plantado dessa forma. Sempre que se planta uma semente, o resultado é inevitável. Portanto, em vez de nos aborrecermos no momento da colheita, precisamos aprender a ser mais cuidadosos durante o plantio.

Em uma vida anterior, cometemos a ação negativa que nos trouxe o sofrimento presente. Não adianta nada chorar agora, reivindicando que o que está acontecendo não é justo. O importante é praticarmos ações que produzam resultados favoráveis e não ficarmos fixados nos resultados inevitáveis de ações negativas anteriores.

Nossas ações passadas não são apenas a razão de nosso sofrimento, mas também de nossa felicidade. O problema é que queremos apenas o desenrolar do carma positivo. Entretanto, se desejamos o amadurecimento de bons frutos, precisamos plantar boas sementes.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

As raízes da felicidade e do sofrimento

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“Onde quer que vivamos, seja qual for a nossa cor, cultura ou religião, todos queremos evitar o sofrimento e encontrar uma fonte estável de contentamento e satisfação. Dentre os vários reinos da experiência, o reino humano oferece a maior oportunidade para a realização deste desejo. Como seres humanos, podemos operar mudanças utilizando a mente. Ao contrário dos animais, temos o dom de entender conceitos complexos. Podemos contemplar o que ouvimos ou lemos e validar ou refutar esses conceitos, agindo de acordo com nossas convicções, não com uma fé cega, mas após exame e análise detalhados. Por isso, este corpo humano, junto com a mente, constitui um veículo único e precioso que tem o potencial de nos levar além de todo o sofrimento ainda nesta vida.

Por que, então, não conseguimos evitar o sofrimento ou manter os momentos fugazes de felicidade? Por não sabermos o que evitar e o que aceitar na busca pela felicidade duradoura. A motivação autocentrada nos leva a agir de um modo que apenas produz mais sofrimento, e que obscurece ainda mais as verdadeiras fontes de felicidade. A nossa tendência é de nos concentrarmos naquilo que não temos – nossa lista de desejos – e de nos fixarmos em dificuldades que são superáveis. Essa insatisfação nos cega para nossas qualidades inerentes e impede que as usemos para beneficiar nós e os outros. É como alguém que, tentando ficar mais saudável, tomasse veneno por engano, adoecesse e morresse; voltasse a vida no dia seguinte tomasse o mesmo veneno, adoecesse e morresse, repetindo o processo infinitamente. Essa é a situação em que todos os seres humanos se encontram.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 10, Ed. Makara.