Parinirvana de Chagdud Tulku Rinpoche

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Sobre nossa natureza intrínseca…

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“Conhecer a verdadeira natureza da nossa experiência e manter esse conhecimento é o meio para alcançarmos a iluminação. A iluminação não é algo que criamos ou fazemos com que passe a existir. Iluminação significa simplesmente descobrir dentro de nós o que já está lá. É a plena realização da nossa própria natureza intrínseca, chamada de buda.”

– Chagdud Tulku Rinpoche

O Significado Espiritual de Liberdade e Oportunidade

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“O Sutra do Bodisatva Essência do Espaço contém um diálogo entre um bodisatva, Namke Nyingpo, e Buda Shakiamuni. O bodisatva pergunta a Buda:

 Qual o significado espiritual de liberdade e oportunidade?

O Buda responde:

 Quando a mente está distraída pelo pensamento discursivo, há inquietação e atividade. Quando a mente experimenta paz ao serenar o pensamento discursivo e dissipa esse pensamento no espaço básico da mente, há descanso.

Além do sentido “externo” de liberdade  ter oportunidade para praticar — , existe o sentido “interno” de liberdade, o potencial exclusivo do ser humano de vivenciar o relaxamento natural da mente, o desfazer do pensamento discursivo. Até que venhamos a vivenciar a liberdade nesse sentido interno, nossa prática do Darma não será muito eficaz, porque estaremos perpetuamente distraídos por pensamentos e conceitos.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 12.

Dica de Leitura

Chaves Para a Felicidade e Para Uma Vida Significativa, de Kyabgon Phakchok Rinpoche (Editora Makara, 2013).

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Neste livro, Phakchok Rinpoche compartilha conosco pontos simples que podem nos ajudar a ter uma vida significativa — uma vida feliz, satisfatória — e a nos tornarmos verdadeiramente humanos, capazes de beneficiar nós mesmos e também os outros.

Fonte: Editora Makara.

A Inseparabilidade da nossa Mente e da Mente do Lama

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“A essência da prática chamada de guru ioga é nos apoiarmos em um professor para alcançarmos a liberação. Guru é o termo em sânscrito para lama, ou mestre espiritual. […] Por meio da guru ioga, a realização que o lama possui da natureza pura da mente desponta como realização em nosso fluxo mental.

A compreensão na guru ioga de que o lama é a união de todas as fontes de refúgio apressa nosso progresso no caminho. […]

O lama corporifica as Três Joias, que são o Buda, o Darma e a Sangha; as Três Raízes, que são o lama, o yidam e a dakini; a deidade da prosperidade; os protetores do Darma e os três kayas.

[…] Embora não tenhamos carma para ter recebido ensinamentos diretamente de Buda Shakiamuni, o lama fala como Buda teria falado e utiliza meios para nos guiar que Buda teria utilizado.

Recebemos as bênçãos do lama de forma direta por meio de iniciações, instruções e orientação para nossa prática. O lama nos apresenta ao fato de que a existência cíclica é uma estado de sofrimento, à necessidade de buscarmos liberação desse sofrimento e aos meios para isso.

Após ouvir e aplicar os ensinamentos do lama, começamos a experimentar um espírito de renúncia: nos afastamos de pensamentos e de ações contraproducentes ao desenvolvimento espiritual e cultivamos aqueles que são frutíferos. Onde havia ignorância, agora há alguma compreensão. Onde havia apenas mente comum conceitual, agora experimentamos a sabedoria. Nossos interesses autocentrados, sempre presentes, bem como os venenos da mente, lentamente diminuem, e a capacidade de lidar com eles aumenta. Nossa percepção do mundo começa a mudar. Essas são todas bênçãos do lama.

[…] Ao nos amadurecer por meio de iniciações, ao nos liberar por meio de ensinamentos e ao sustentar nossa prática com bênçãos e inspiração, o lama nos capacita a vivenciar diretamente a verdadeira natureza da mente.

[…] Compreendemos que, por meio da compaixão, da realização e das bênçãos do lama, bem como da fé, devoção e desejo de emular essas qualidades, teremos a experiência da inseparabilidade da nossa mente e da mente do lama.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 21.

A Prática da Meditação no Cotidiano

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“Na prática da meditação no cotidiano, trabalhamos com dois aspectos da mente: sua capacidade de raciocinar e conceitualizar – o intelecto – e a qualidade que está além do pensamento – a natureza não conceitual e ilimitada da mente. Utilizando a faculdade racional, você contempla. Depois deixe a mente repousar. Pense, e então relaxe; contemple, e então relaxe. Não use um ou outro exclusivamente, mas os dois juntos, como as asas de um pássaro.

Isso não é algo a ser feito apenas quando você está sentado em uma almofada. Você pode meditar assim em qualquer lugar – enquanto guia o carro, enquanto trabalha. Não há necessidade de objetos especiais nem de um ambiente especial. Essa meditação pode ser praticada em todas as circunstâncias da vida.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 5.

Pergunta e Resposta

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PERGUNTA: Se alguém que viveu uma vida virtuosa sofre um acidente e passa por grandes dificuldades, é difícil ver esse infortúnio como sendo resultado de uma ação negativa que a pessoa cometeu 500 mil vidas atrás. Não me parece justo.

RESPOSTA: Se plantarmos arroz, trigo e cevada indiscriminadamente em um campo, não poderemos nos queixar sobre a mistura confusa de grãos na hora da colheita. Se não queríamos isso, não deveríamos ter plantado dessa forma. Sempre que se planta uma semente, o resultado é inevitável. Portanto, em vez de nos aborrecermos no momento da colheita, precisamos aprender a ser mais cuidadosos durante o plantio.

Em uma vida anterior, cometemos a ação negativa que nos trouxe o sofrimento presente. Não adianta nada chorar agora, reivindicando que o que está acontecendo não é justo. O importante é praticarmos ações que produzam resultados favoráveis e não ficarmos fixados nos resultados inevitáveis de ações negativas anteriores.

Nossas ações passadas não são apenas a razão de nosso sofrimento, mas também de nossa felicidade. O problema é que queremos apenas o desenrolar do carma positivo. Entretanto, se desejamos o amadurecimento de bons frutos, precisamos plantar boas sementes.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.