Glossário de Termos do Budismo Tibetano

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*Abreviações utilizadas:

lit.: literal;

sânsc.: sânscrito;

tib.: tibetano.

 

A

Ações negativas: há dois tipos de ações negativas: aquelas que são negativas por natureza e aquelas que são nocivas porque transgridem um preceito ou violam uma promessa ou voto. A primeira categoria compreende as dez ações desvirtuosas: matar, roubar, conduta sexual indevida, mentir, fala que causa discórdia, fala ríspida, fala inútil, cobiça, malevolência e visão equivocada. A segunda categoria incluiria, por exemplo, a transgressão de um compromisso religioso, impedindo o praticante de avançar no caminho. (4)

Akshobia: O Imperturbável. Um dos cinco Dhyani Budas, ou líderes das cinco famílias búdicas, que representam os skandas (ou agregados) plenamente purificados. Ele é o senhor da família Vajra e representa a consciência e a sabedoria semelhante ao espelho. (2)

Amitaba: Buda Luz Ilimitada, cujas aspirações e dedicação de mérito facilitam o renascimento em sua terra pura, Dewachen.

Arya (sânsc., lit. “ser superior”): alguém que tem uma realização direta, ou não-conceitual, da vacuidade.

Avalokiteshvara (sânsc.; tib. Chenrezig): bodisatva da compaixão, que corporifica a compaixão de todos os budas e bodisatvas.

B

bardo (tib.): estado intermediário; as várias transições da consciência no ciclo da existência, incluindo o bardo desta vida, o bardo do sonho, o bardo do momento da morte, o bardo da verdadeira natureza da realidade, o bardo do vir-a-ser e o bardo da meditação.

bindu (sânsc., tib. tigle): a concentração de energia do corpo sutil, que é trabalhado no treinamento da Anuyoga.

Bodhicharyavatara (sânsc., lit. “A entrada para o caminho do despertar”): O Caminho do Bodisatva, importante livro escrito pelo erudito indiano Santideva.

bodisatva (sânsc.): no budismo Mahayana, aquele cuja conduta e realização estão de acordo com a intenção altruísta de trabalhar pelo bem-estar dos seres sencientes, até que todos, sem exceção, alcancem a iluminação.

boditchita (sânsc., tib. djang tchub sem, lit. “mente da iluminação”): no nível relativo, envolve trazer à tona compaixão de forma equânime por todos os seres e a aspiração de alcançar o estado búdico em benefício destes, como também se empenhar em práticas e atividades que levem a este objetivo; no nível absoluto, é o estado desperto da verdadeira natureza da realidade.

buda (sânsc., tib. sang dje): significa “desperto”, alguém que removeu todos os obscurecimentos e fez surgir todas as qualidades positivas, incluindo as duas formas de consciência: o completo conhecimento das causas e condições passadas, presentes e futuras, bem como da verdadeira natureza da realidade; a primeira das Três Joias do refúgio.

Buda Shakiamuni: o quarto dos mil budas que aparecerão neste éon; ele alcançou a iluminação em Bodh Gaya, na Índia, e ensinou os 84 mil métodos do Darma (séc. V a.C.).

budismo Hinayana (sânsc., lit. “o veículo menor”): o caminho da prática da salvação pessoal na qual o praticante busca escapar do sofrimento dos ciclos da existência por meio da renúncia e do corte completo de qualquer apego às aparências do mundo.

budismo Mahayana (sânsc., lit. “o grande veículo”): o caminho da prática dos que buscam a liberação do sofrimento não apenas para si mesmos, mas para todos os seres sencientes; o ideal do Mahayana é aquele do praticante heroico que não se entrega à paz total do nirvana até que todos os seres alcancem a iluminação.

budismo Vajrayana (sânsc., lit. “o veículo da natureza indestrutível do ser”): ramo do budismo Mahayana praticado por aqueles que desejam conhecer a natureza absoluta do ser por meio de métodos bastante diretos, transmitidos pelas linhagens dos mestres vajrayanas; frequentemente referido como o “caminho curto”.

C

carma: a qualidade inevitável de causa e efeito pela qual a virtude gera felicidade e a desvirtude gera sofrimento.

chö (tib., lit. “cortar”): a prática da generosidade suprema na qual o praticante oferece tudo, até mesmo seu corpo, a quem quer que possa partilhá-lo, mais especificamente aos demônios da existência condicionada.

chuba (tib.): vários tipos de vestes usadas tanto por homens quanto mulheres no Tibete.

corpo de arco-íris: termo que se refere às duas categorias de dissolução do corpo físico de um grande meditador no momento da morte: em uma categoria, o corpo se dissolve, deixando para trás apenas unhas e cabelos e, na outra, o praticante alcança o poder de se manifestar como um corpo de luz.

cinco venenos (da mente): as emoções negativas que levam a renascimentos nos reinos do samsara: a raiva ou a aversão, o orgulho, o desejo, a inveja e a ignorância.

D

dakini (sânsc., lit. “aquela que anda no céu”, “dançarina do céu”): o aspecto feminino da sabedoria ou da natureza da mente; uma grande praticante feminina; a terceira das Três Raízes do refúgio, a fonte da atividade iluminada e das circunstâncias auspiciosas.

darma: o corpo dos ensinamentos de Buda Shakiamuni, que inclui os 84 mil métodos para revelar a verdadeira natureza da mente e atingir a iluminação; a segunda das Três Joias do refúgio.

deidade (sânsc. yidam): ser iluminado.

deidade irada: aspecto da iluminação que corporifica as qualidades apropriadas para a intervenção direta na superação dos venenos da raiva, apego, ignorância, ciúme e orgulho.

desvirtude: ver ações negativas.

detentor de realização (tib. rigdzin, lit. “aquele que detém a sabedoria intrínseca”): praticante que integrou de tal forma a prática vajrayana que o faz reconhecer a verdadeira natureza da mente e da realidade.

Dewachen (tib., lit. “grande bem-aventurança”): a terra pura de Buda Amitaba.

dez direções: Norte, Sul, Leste, Oeste; Nordeste, Noroeste, Sudeste, Sudoeste, Zênite e Nadir. (2)

dharmadatu (sânsc.): espaço absoluto; espaço da realidade última.

dharmakaya: a esfera da verdade absoluta; a essência da mente como vacuidade.

dharmata: a verdadeira natureza da realidade.

dualismo: no budismo tibetano, a falácia de perceber a realidade como dividida em sujeito (o “eu”) e objeto (o “outro”).

duas acumulações: no nível relativo, a acumulação de mérito pelo desenvolvimento da compaixão e meios hábeis; no nível absoluto, a acumulação de sabedoria pela percepção direta da verdadeira natureza da realidade.

Dzgochen (tib., lit. “Grande Perfeição” ou “Grande Acabamento”): o mais elevado sistema de práticas dentro da tradição Nyingma do budismo tibetano.

E

emanação: ser que é a manifestação direta da intenção iluminada de um buda ou bodisatva.

energia sutil: as energias do corpo sutil, que são trabalhadas no treinamento de Anuyoga.

estado desperto (sânsc. vidya, tib. rigpa): o estado original da mente, fresco, vasto, luminoso e além do pensamento.

estágio da consumação: na visualização do Mahayoga, o estágio de dissolver a visualização gerada no estágio do desenvolvimento e o repouso sem esforço na verdadeira natureza da mente; as práticas de Anuyoga, de trabalho com os canais, as energias e o bindu do corpo sutil; a prática de Atiyoga de repousar no estado desperto.

estágio do desenvolvimento: na visualização de Mahayoga, o estágio que envolve esforço, no qual é gerada a visualização clara de uma deidade, recitando mantras e descansando no estado desperto não dual.

estupa: monumento cujos elementos arquitetônicos simbolizam os 37 fatores que conduzem à iluminação.

F

fluxo mental: o continuum da consciência do ser ao longo dos ciclos de renascimento e morte.

G

Gelupa (tib.): uma das quatro principais tradições (linhagens) do budismo tibetano.

Geshe: refere-se a um certo nível de treinamento monástico ou filosófico. É tradicionalmente recebido após aproximadamente 25 anos de intensos estudos em um grande monastério. É similar ao nível de estudo de um PhD, embora seja muito mais que isso. Existem também diferentes níveis de Geshe. (…) É principalmente um título referente a excelência acadêmica e grau de treinamento em textos filosóficos budistas. (1)

gonla (tib.): nos monastérios tibetanos, um praticante cuja função oficial é a de fazer, diariamente, orações e oferendas extensas para os protetores do darma.

Grande Perfeição (tib. Dzogchen): Atiyoga, a mais profunda categoria de prática Vajrayana de acordo com a escola Nyingma, na qual o reconhecimento da verdadeira natureza da mente constitui o caminho, levando à consumação da inseparabilidade de estado desperto e vacuidade.

Guru Ioga: método do Vajrayana no qual nos apoiamos no relacionamento com o lama para alcançar a liberação, mesclando nossa mente com a mente iluminada do lama, que é inseparável da nossa verdadeira natureza.

Guru Rinpoche (Padmasanbhava): o mestre indiano que estabeleceu os ensinamentos Vajrayana no Tibete, no século VIII; reverenciado como o segundo buda.

H

Hinayana: ver budismo Hinayana.

I

iluminação: o estado búdico; o estado desperto da mente, no qual os obscurecimentos foram purificados e todas as qualidades iluminadas reveladas.

impermanência: a natureza constantemente mutante de todas as coisas que surgem de causas e condições. Este termo refere-se à noção budista que todas as coisas do samsara são impermanentes. Uma vez criadas, elas deterioram e acabam. Embora isso seja particularmente verdadeiro para doenças humanas e morte, a ideia refere-se à natureza de todas as coisas. É um dos motivos do sofrimento e uma das três marcas da existência. (2)

iniciação: cerimônia durante a qual uma lama realizado autoriza o praticante a meditar em uma deidade específica, por meio das bênçãos da linhagem e da invocação das qualidades do corpo, fala e mente.

ioga do sonho: método de meditação no qual se treina o reconhecimento do estado do sonho, que é usado para favorecer o desenvolvimento espiritual.

K

Kagyu (tib.): uma das quatro principais tradições (linhagens) do budismo tibetano.

katag (tib.): uma echarpe de cerimonial, em geral branca, oferecida a um lama ou trocada entre lamas como símbolo da pureza.

karma: ver carma.

Khenpo (tib.): o mais elevado grau conferido a um erudito religioso.

L

lama (tib., sânsc. guru): no Vajrayana, o mestre espiritual, que demonstra o caminho da iluminação e proporciona as instruções e orientações; a primeira das Três Raízes do refúgio, a raiz das bênçãos.

lamparina: uma lamparina votiva feita de metal que queima manteiga derretida ou óleo.

linhagem, detentor da linhagem: a linha ininterrupta de transmissão do Darma de mestre para aluno desde o tempo do histórico Buda Shakiamuni até o presente; um detentor da linhagem é alguém que recebeu a transmissão da linhagem de seu próprio mestre, que alcança um nível elevado de realização da prática e é assim capaz de ensiná-la aos outros.

Losar (tib.): ano novo tibetano.

M

Mahayoga: a categoria, na escola Nyingma do Vajrayana, que enfatiza a visualização de deidades e mandalas, repetição de mantras e outros métodos para purificar a percepção comum e efetivar a compreensão da inseparabilidade de forma e vacuidade.

Mahayana: ver budismo Mahayana.

mala (sânsc.): rosário, normalmente com 108 ou 111 contas, usado para a contagem de repetições de mantras.

mandala: configuração sagrada que representa o estado iluminado da mente por meio de vários elementos gráficos, tais como cores e formas de deidades; arranjo de oferendas que o praticante visualiza como algo que inclui todo o universo e todo o seu conteúdo transformado em prazeres sensoriais ilimitados; também uma forma de arte sagrada que representa a exibição e as qualidades da mente iluminada.

Manjushri (sânsc.): o bodisatva do conhecimento transcendental que corporifica a sabedoria de todos os budas e bodisatvas.

mantra: sílabas, geralmente em sânscrito, que corporificam a fala iluminada da deidade; significa “aquilo que protege a mente do praticante”, por exemplo, da negatividade e do pensamento confuso.

mestre-raiz: o mestre que introduz o praticante à natureza da mente.

mestre-vajra: o lama que preside um ritual Vajrayana.

Monte Meru (tib. lhun po): segundo a cosmologia budista, é o centro do mundo como visualizado no oferecimento de mandala. (2)

mudra (sânsc., tib. chag gya, lit. “selo”): um gesto simbólico com as mãos, dotado de poder, não diferente de um mantra. Uma consorte tântrica. (2)

N

natureza búdica: a natureza da mente fundamentalmente pura, que em todos os seres constitui a base para alcançar a iluminação.

nirmanakaya: uma corporificação da mente iluminada que se manifesta em uma forma física para beneficiar os seres que são incapazes de perceber a expressão pura do sambhogakaya.

nirvana: o estado além do sofrimento do samsara; no nível mais elevado, a completa iluminação, que está além tanto do samsara quanto do nirvana.

niam (tib.): um estado mental extraordinário, mas temporário, tal como o surgimento de uma visão, que resulta da meditação, mas que não constitui uma realização total e estável.

Nyingma (tib.): a mais antiga das quatro principais tradições (linhagens) do budismo tibetano, baseada primordialmente na linhagem de transmissões de Padmasambhava.

P

Padmasambhava (ou Guru Rinpoche): o mestre indiano que estabeleceu os ensinamentos Vajrayana no Tibete, no século VIII; reverenciado como o segundo buda.

percepção dualista: a percepção de que a realidade é dividida em sujeito (eu) e objeto (outro), cada um com uma identidade independente.

powa (tib.): a transferência da consciência, particularmente a transferência no momento da morte para a terra pura ou outros estados mais elevados de consciência.

práticas preliminares (tib. ngondro): as práticas fundamentais do Vajrayana, feitas para purificar obscurecimentos, acumular mérito e despertar a realização da verdadeira natureza da mente.

prostração: ato de inclinar-se em homenagem às Três Joias e às Três Raízes, seja estendendo todo o corpo no chão (prostração completa) ou ajoelhando e tocando a cabeça, os joelhos e as mãos no chão (prostração curta).

protetores do Darma (sânsc. dharmapala, tib. gonpo): um ser mundano ou iluminado encarregado de proteger os praticantes contra obstáculos e de proteger os ensinamentos budistas da diluição ou distorção.

puja (sânsc.): culto, geralmente realizado como uma cerimônia religiosa em grupo.

purificação: a erradicação da mente das marcas negativas impressas deixadas pelas ações não-virtuosas passadas, que de outra forma amadureceriam em sofrimento. Os métodos mais efetivos de purificação emprega os quatro poderes oponentes de confiar no objeto de refúgio, arrepender dos atos cometidos, tomar a resolução de não repeti-los e aplicar os antídotos (as práticas de purificação). (2)

Q

quatro continentes: ao leste, Lüpagpo, Terra do Corpo Nobre; ao sul, Dzambuling, Terra da Fruta Jambu (o nosso mundo humano); a oeste, Balangchö, Terra do Gado Doador; ao norte, Dramiñän, Terra da Voz Desagradável. Esses continentes aparecem no Oferecimento de Mandala e são parte da representação simbólica do universo inteiro. (2)

quatro escolas filosóficas: as quatro escolas filosóficas que diferem entre si em suas visões da vacuidade: 1.Vaibhashika 2. Sautrantika 3. Cittamatra 4. Madhyamika. As duas primeiras são escolas do Hinayana, as duas últimas são escolas do Mahayana. (2)

quatro obscurecimentos: os fatores que impedem o reconhecimento da verdadeira natureza da mente: os obscurecimentos intelectuais, os venenos da mente ou os obscurecimentos emocionais, o carma e o hábito.

quatro pensamentos: o nascimento humano precioso, a impermanência, o carma e o sofrimento; a contemplação desses pensamentos direciona a mente aos ensinamentos e à prática espiritual.

quatro poderes da confissão: os suportes essenciais para a purificação de ações negativas: um ser iluminado como testemunha, o arrependimento sincero, o firme compromisso de nunca repetir a ação e a bênção da purificação pelo ser iluminado.

quatro qualidades incomensuráveis: a equanimidade, o amor, a compaixão e o regozijo.

quatro tipos de atividades: os quatro tipos de atividades iluminadas que surgem espontaneamente da realização da verdadeira natureza da mente: a atividade pacificadora, a incrementadora, a magnetizadora e a irada.

R

refúgio: o primeiro passo formal para entrar no caminho budista; o compromisso de se afastar das causas do sofrimento e se voltar para as fontes infalíveis de benefício imediato e supremo para todos os seres.

realidade absoluta: essência pura, imutável, indestrutível, indivisível do ser, que está além dos conceitos e da confusão.

realidade relativa: as aparências mutáveis, instáveis, compostas, que surgem quando se toma como verdadeira a aparente dualidade de sujeito e objeto.

reino puro: ver terra pura.

rinpoche (lit. “precioso”): refere-se a alguém que em sua vida anterior atingiu um nível tão elevado de maestria que não precisa mais renascer. Porém, devido à sua compaixão pelos outros, eles escolheram renascer intencionalmente – ou escolheram uma forma humana – para ensinar os outros. Por isso, eles são “preciosos” porque eles voltaram para nos mostrar como fazer isso nós mesmos. (1)

roda de oração: cilindro preenchido por mantras, que é girado pela mão como exercício religioso.

S

sabedoria: a compreensão da verdadeira natureza da mente.

sambhogakaya: a expressão pura da mente iluminada percebida apenas por praticantes altamente realizados.

Sakya (tib.): uma das quatro principais tradições (linhagens) do budismo tibetano.

samsara (sânsc.): o ciclo da existência condicionada associado a um infindável sofrimento devido às delusões.

sangha (sânsc., tib. guedun, lit. “aqueles que amam a virtude”): aqueles que praticam, realizam e mantém os ensinamentos de Buda e funcionam como companheiros e guias no caminho budista; a terceira das Três Joias do refúgio.

seis perfeições (sânsc. paramitas): as qualidades perfeitas de um bodisatva que dão suporte à prática do caminho Mahayana: a generosidade, a disciplina moral, a paciência, a diligência, a concentração e o conhecimento transcendente.

seis reinos: as realidades experimentadas pelos seres presos no samsara devido à confusão fundamental em relação à verdadeira natureza da mente e também a um veneno mental predominante: dos reinos do inferno (a raiva e o ódio), dos fantasmas famintos (a avareza ou a cobiça), dos animais (a ignorância), dos seres humanos (uma mistura de venenos), dos semideuses (a inveja) e dos deuses (o orgulho).

shamata (sânsc., tib. jine): o calmo permanecer, um dos dois maiores métodos de meditação budista, no qual a mente descansa, unidirecionalmente, sem distrações.

siddha (sânsc.): aquele que alcançou poderes sobrenaturais através da realização meditativa.

sidi (tib. ngödrup): realização espiritual. No nível mais sublime, alcançar a iluminação, também poderes paranormais que são subprodutos da prática espiritual.

sílaba-semente: sílaba que, na meditação, simboliza a sabedoria do meditador e, nas práticas do estágio do desenvolvimento, serve como base para a visualização de uma deidade.

sutra: uma das coleções dos ensinamentos de Buda, serve como antídoto para a raiva; esses ensinamentos constituem os discursos de Buda sobre vários assuntos.

T

tanka (tib.): pintura budista tibetana em pergaminho.

tantras: os textos esotéricos que formam a base da teoria e da prática Vajrayana.

tchopen (tib.): mestre de altar. (3)

terra pura (reino puro): o ambiente do ser iluminado no qual o Darma sagrado é expresso perfeitamente em todas as facetas daquele ambiente; ou um reino de pureza manifesto por um buda no qual não há sofrimento e a iluminação é assegurada.

tonglen (tib., lit. “enviar e receber”): uma meditação utilizada no desenvolvimento da boditchita.

três coleções do Darma (sâns. tripitaka): os ensinamentos de Buda categorizados como Vinaia, Sutra e Abidarma.

três elementos (ou estágios) da fé: um sentimento de admiração pelo mestre espiritual e os ensinamentos, um desejo de emular o mestre e estudar a praticar os ensinamentos, uma convicção inabalável, baseada na prática, no mestre e nos ensinamentos.

três esferas: o sujeito, o objeto e a ação entre eles; a crença em sua existência inerente constitui o domínio da verdade relativa.

três joias: Buda, Darma e Sangha, os princípios centrais do budismo, em que Buda é um estado de mente completamente iluminado, Darma são os ensinamentos que abrangem o caminho para a iluminação e Sangha é a comunidade de praticantes do Darma no caminho para a iluminação.

três kayas: os três aspectos da totalidade da mente iluminada, as fontes secretas de refúgio (ver dharmakaya, sambhogakaya e nirmanakaya).

três raízes: Lama, Yidam e Dakini, os princípios centrais do budismo Vajrayana,, em que o Lama é a raiz das bênçãos, o Yidam é a raiz da realização e a Dakini é a raiz da atividade iluminada.

três reinos: uma classificação do samsara, os três reinos são: o reino do desejo, o reino da forma e o reino da ausência de forma.

tsog (tib.): reunião, geralmente uma cerimônia de oferendas na qual as substâncias são agrupadas, consagradas, oferecidas para os budas e bodisatvas que corporificam a iluminação e posteriormente consumidas pelos participantes da cerimônia.

tulku (tib., sâsnc. nirmanakaya): encarnação de um mestre espiritual anterior que tomou um renascimento intencionalmente para beneficiar os seres; encarnação reconhecida de um lama eminente.

tumo (tib.): na ioga tibetana, a prática de gerar calor interno.

U

umze (tib.): aquele que lidera os cânticos litúrgicos, mestre de entoar.

V

vacuidade: a essência da mente; também a ausência de existência inerente do eu e dos fenômenos.

vajra: refere-se à natureza imutável do corpo, da fala e da mente.

Vajrapani: o bodisatva do poder espiritual, que trouxe os tantras para o reino humano.

Vajrasatva: a deidade que corporifica a pureza inata da mente absoluta; a prática preliminar que envolve a meditação em Vajrasatva é usada para purificar as máculas da mente humana.

Vajrayana: o caminho espiritual daqueles que seguem a abordagem Mahayana e que também aplicam uma grande variedade de meios hábeis; envolve o desenvolvimento e a manutenção de uma visão pura da realidade.

venerável: termo para aqueles que são ordenados. Monges ou monjas são tradicionalmente conhecidos como “venerável”. É simplesmente um termo de respeito para aqueles que escolheram a vida monástica e assumiram o compromisso de preservar os ensinamentos dessa maneira. (1)

vento (sânsc. prana, tib. lung): a sutil energia vital. No Tantra, esses ventos são o veículo da consciência. (…) (2)

verdade absoluta: a essência pura e imutável dos fenômenos; também se refere à natureza da mente.

verdade relativa: a aparência dos fenômenos em um nível convencional, aos quais a mente comum imputa uma existência inerente.

vipashyana (sânsc., tib. lagtong, lit. “visão profunda”): um dos dois principais métodos de meditação budista, no qual se desenvolve uma visão sobre a verdadeira natureza da mente e dos fenômenos.

virtude: potencial positivo, méritos. Marcas impressas no contínuo mental de ações positivas, que levam à felicidade futura. (2)

visualização: no Vajrayana, prática em que nos visualizamos como a deidade e o ambiente, como a terra pura, visando purificar a percepção dualista comum; a consumação última dessa prática é a realização de que a nossa verdadeira natureza é idêntica à da deidade.

Y

Yama: o Rei da Morte, não um ser senciente, mas um símbolo e uma personificação da morte. (4)

Yidam (tib.): uma deidade de meditação ou a “deidade escolhida”, na qual o praticante se apoia para a realização espiritual; a segunda da Três Raízes do refúgio.

Z

zen (tib.): uma longa peça de tecido que os praticantes budistas usam em volta da parte superior do corpo.

 

Referências:

Compilação elaborada com base nos glossários publicados nas seguintes obras e páginas da internet:

RINPOCHE, Chagdud Tulku. Portões da Prática Budista: ensinamentos essenciais de um lama tibetano. 5. ed. revisada e ampliada. Três Coroas: Makara, 2010.

RINPOCHE, Chagdud Tulku. Senhor da Dança, O: a autobiografia de um lama tibetano. 2. ed. revisada e ampliada. Três Coroas: Makara, 2013.

(1) Kopan Monastery, What do the various titles of the Mahayana Traditions mean? Disponível em: < http://kopanmonastery.com/faq/344-about-buddhism/504-what-do-the-various-titles-of-the-mahayana-traditions-mean-ie-geshe-rinpoche-lama-venerable >. Acesso em: 18 de junho de 2017.

(2) Centro Shiwa Lha, Glossário de Termos Budistas. Disponível em: < http://www.shiwalha.org.br/praticas/glossario.php >. Acesso em: 24 de junho de 2017.

(3) Chagdud Gonpa Brasil, Lama Rigdzin Dordje. Disponível em: < https://chagdud.com.br/lama-rigdzin-dordje >. Acesso em: 26 de maio de 2018.

(4) SHANTIDEVA. Caminho do Bodisatva, O. Três Coroas: Makara, 2013.

 

 

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