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Pergunta e Resposta

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PERGUNTA: O que torna possível a transformação da mente é a bênção da deidade ou a nossa devoção sincera?

RESPOSTA: Ambas são necessárias; não se pode ter uma sem a outra. Do nosso próprio ponto de vista, a fé e a devoção são o mais importante, porque nos inspiram a rezar e a invocar as bênçãos da deidade, que é a fonte e o objeto da nossa fé. Isso nos possibilita receber as bênçãos que transformam a nossa mente. Dessa maneira, podemos atingir o objeto último da nossa prática espiritual: a completa realização da nossa verdadeira natureza para que possamos beneficiar incessantemente todos os seres.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 18.

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Pergunta e Resposta

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PERGUNTA: Se alguém que viveu uma vida virtuosa sofre um acidente e passa por grandes dificuldades, é difícil ver esse infortúnio como sendo resultado de uma ação negativa que a pessoa cometeu 500 mil vidas atrás. Não me parece justo.

RESPOSTA: Se plantarmos arroz, trigo e cevada indiscriminadamente em um campo, não poderemos nos queixar sobre a mistura confusa de grãos na hora da colheita. Se não queríamos isso, não deveríamos ter plantado dessa forma. Sempre que se planta uma semente, o resultado é inevitável. Portanto, em vez de nos aborrecermos no momento da colheita, precisamos aprender a ser mais cuidadosos durante o plantio.

Em uma vida anterior, cometemos a ação negativa que nos trouxe o sofrimento presente. Não adianta nada chorar agora, reivindicando que o que está acontecendo não é justo. O importante é praticarmos ações que produzam resultados favoráveis e não ficarmos fixados nos resultados inevitáveis de ações negativas anteriores.

Nossas ações passadas não são apenas a razão de nosso sofrimento, mas também de nossa felicidade. O problema é que queremos apenas o desenrolar do carma positivo. Entretanto, se desejamos o amadurecimento de bons frutos, precisamos plantar boas sementes.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

Pergunta e Resposta

PERGUNTA: “Despertar” significa que tudo aquilo que vemos, ouvimos e saboreamos irá desaparecer?

RESPOSTA: Quando despertamos para nossa verdadeira natureza, o mundo dos fenômenos como o conhecemos não desaparece, mas nossas reações a ele se modificarão e, na mesma proporção, nosso sofrimento diminuirá. Se, em meio a um sonho aterrorizante, de repente, percebermos que estamos sonhando, apesar de o sonho necessariamente não desaparecer, o medo desaparecerá. Somos impotentes quando nos deparamos com nossas esperanças e medos, gostos e desgostos e, porque acreditamos que tudo isso é verdadeiro, somos subjugados por toda sorte de eventos. Se percebermos que o que quer que surja é ilusório, não lhe daremos validade, e aquilo não terá o mesmo poder sobre nós. Em consequência, não experimentamos tanto sofrimento.

Em vez de ficarmos presos em nossas experiências, que são como um sonho, sejam elas felizes ou tristes, precisamos enxergar além de seu caráter impermanente e ver sua essência. Conhecer essa essência é o chamado “grande conhecimento”; conhecer apenas a realidade comum e a solidez aparente das coisas é o chamado “conhecimento comum”. A diferença entre eles é como a diferença entre os dois caminhos: o caminho do sonho – de sofrimento incessante – e o grande caminho da realização. O grande conhecimento é a base para transformarmos experiência comum em realização da verdade absoluta.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 4.

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PERGUNTA: Podemos aceitar superficialmente que a motivação para a prática seja o benefício dos outros, mas, na verdade, queremos manter parte do benefício para nós mesmos e resolver nossos problemas. Qual é seu conselho?

RESPOSTA: Precisamos entender as limitações de uma abordagem egocentrada para perceber que o foco em nós mesmos, profundamente arraigados, irá, no final das contas, impedir que alcancemos a liberação e a onisciência, que são necessárias para beneficiar os outros. Com essa compreensão, é possível começar a desenvolver uma motivação altruísta. É necessário tempo, paciência e diligência, mas, se meditarmos sobre a boditchita, muitas e muitas vezes, nossa motivação se modificará gradativamente. A maioria de nós começa com muito pouco altruísmo. Quanto mais praticamos e contemplamos os defeitos da motivação egoísta e os benefícios da motivação altruísta, mais a balança vai se inclinando, até que a preocupação em relação a nós mesmos passa a ser igual à preocupação com os outros. Quando nosso altruísmo se tornar predominante, chegaremos ao ponto em que não mais haverá preocupação em relação a nós mesmos, em que estaremos voltados somente para o bem-estar dos outros.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 14.

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PERGUNTA: O Senhor poderia falar mais sobre a experiência de nos conectarmos com nossa verdadeira natureza?

RESPOSTA: Não adianta muito falar sobre isso. É melhor simplesmente pôr de lado nossa esperança e medo, repousar a mente e deixar que a experiência daquilo que está além dos conceitos venha à tona. Não é um estado de amortecimento ou sonolência, nem um estado de coma.

Buda disse que a nossa verdadeira natureza simplesmente é; não há palavras para descrevê-la. Se você tiver palavras para explicá-la, você estará recorrendo a conceitos e a terá perdido. A verdade é tão próxima e, no entanto, não a reconhecemos.

Como o cavalo que nunca saíra da cocheira, nossa verdadeira natureza não está em outro lugar; acontece apenas que nossos conceitos e os venenos da mente nos impedem de reconhecê-la. À medida em que eles são purificados, podemos, simples e diretamente, ter consciência de nossa natureza tal como ela é.

Uma pessoa que nunca tivesse experimentado açúcar poderia perguntar a uma outra como ele é. A resposta provavelmente seria: “É muito doce”. Mas o que é “doce”? Não há, na realidade, como explicar – você mesmo tem que provar. Da mesma forma, a experiência direta da nossa verdadeira natureza não pode ser explicada com palavras.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 15.

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PERGUNTA: É possível verdadeiramente ajudar os outros por meio das orações e da dedicação de mérito? Se assim o fosse, muitas pessoas já teriam feito isso, solucionado os problemas do mundo?

RESPOSTA: Definitivamente ajudamos os outros dedicando a eles o mérito de nossas orações e práticas. Entretanto, a extensão em que eles vão se beneficiar é determinada, parcialmente, pela sua própria receptividade. Em uma sala escura, alguém que acrescenta óleo em uma lamparina traz luz para todos que ali estão. Entretanto, aqueles que saem da sala ou fecham os olhos não se beneficiarão da luz. As preces e a dedicação dão suporte ao nosso caminho porque aumentam nosso mérito. Quanto mais praticamos dessa forma, mais seremos capazes de ajudar os outros. Pelo fato de o mérito das orações dos budas e bodisatvas ter sido acumulado ao longo do tempo, eles podem, sem esforço, manifestar incontáveis emanações para ajudar um número imenso de seres. A curto prazo, a extensão em que podemos beneficiar os outros com nossas preces e dedicações é determinada tanto pela receptividade dos beneficiados quanto por nossa própria capacidade.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 18.

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PERGUNTA: Para que alcancemos a iluminação, quanto devemos contar com nós mesmos e quanto devemos nos apoiar no lama ou em alguma outra força externa?

RESPOSTA: Precisamos contar com ambos, com o lama e com nossos esforços. Embora possamos alcançar realização pelos nossos esforços, as catalisadoras dessa transformação são a relação com um professor digno e a aplicação de ensinamentos autênticos.

Quando começamos a praticar, procuramos, fora da nossa própria experiência limitada, os meios que possam nos propiciar liberação; não basta contarmos apenas conosco, pois isso já não deu certo no passado. Se tivesse funcionado, não estaríamos ainda perambulando pelo samsara. Nenhum de nós quer sofrer e, no entanto, sofremos, apesar de todos os nossos esforços. Precisamos nos voltar para alguma coisa ou para alguém que possa nos mostrar o caminho que leva além do sofrimento.

Ao mesmo tempo, confiamos em nossos esforços ao ouvir cuidadosamente os ensinamentos, ao contemplar seu significado profundamente e, por fim, ao internalizá-los por meio da meditação.

Portanto, em última análise, é principalmente por meio da nossa própria prática que alcançamos a meta. O sucesso está, em certo sentido, na palma da nossa mão.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 21.

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PERGUNTA: Há algo de errado em ficarmos alegres ou tristes, em sentirmos emoções?

RESPOSTA: Se, ao vivermos a felicidade, nos recordarmos que ela é impermanente, que em um dado momento irá desaparecer, isso nos ajudará a prezá-la e a desfrutá-la enquanto durar. Ao mesmo tempo, não ficaremos tão apegados nem fixados à felicidade – não experimentaremos tanta dor quando ela se for.

De igual modo, quando sentirmos dor, mágoa ou perda, devemos nos lembrar que isso também é impermanente, o que alivia nosso sofrimento. Portando, o que nos conserva equilibrados é a consciência constante da impermanência.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”.

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PERGUNTA: Durante a prática, às vezes experimento profunda ânsia e tristeza. Isso é o sofrimento que tudo permeia, descrito nos ensinamentos budistas e, se assim for, como posso dissipá-lo?

RESPOSTA: Sentir tristeza ou ânsia durante a prática não é necessariamente algo ruim. Se isso reflete um pesar profundo e desgosto pelo samsara, baseados na compreensão das limitações da existência comum, pode ser benéfico – mas somente se isso nos inspira a fazer algo em relação ao sofrimento. Se apenas cedemos à tristeza e não nos aplicamos     na prática para poder eliminar as causas do nosso sofrimento e o dos outros, então não será muito útil.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”.