Arquivo da categoria: Citações

Temos que fazer uso do momento…

Chagdud Rinpoche em luz La Tour

O corpo, a fala e a mente, bem como a oportunidade preciosa que eles oferecem, não são mais duradouros ou reais do que uma bolha; não mais permanentes ou consistentes do que um sonho. Temos que fazer uso do momento, antes que ele se perca, e a impermanência cobre seu preço.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 12.

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Quando tomamos consciência do sofrimento…

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“Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, isso nos motiva a encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos remédio.

Ao compreender que a virtude e a desvirtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou de tristeza, de prazer ou de dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar as nossas ações e cultivar qualidades virtuosas buscando liberação para nós e para todos os seres, ou podemos continuar a criar desvirtude, perpetuando o sofrimento.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 11.

Sobre nossa natureza intrínseca…

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“Conhecer a verdadeira natureza da nossa experiência e manter esse conhecimento é o meio para alcançarmos a iluminação. A iluminação não é algo que criamos ou fazemos com que passe a existir. Iluminação significa simplesmente descobrir dentro de nós o que já está lá. É a plena realização da nossa própria natureza intrínseca, chamada de buda.”

– Chagdud Tulku Rinpoche

O Significado Espiritual de Liberdade e Oportunidade

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“O Sutra do Bodisatva Essência do Espaço contém um diálogo entre um bodisatva, Namke Nyingpo, e Buda Shakiamuni. O bodisatva pergunta a Buda:

 Qual o significado espiritual de liberdade e oportunidade?

O Buda responde:

 Quando a mente está distraída pelo pensamento discursivo, há inquietação e atividade. Quando a mente experimenta paz ao serenar o pensamento discursivo e dissipa esse pensamento no espaço básico da mente, há descanso.

Além do sentido “externo” de liberdade  ter oportunidade para praticar — , existe o sentido “interno” de liberdade, o potencial exclusivo do ser humano de vivenciar o relaxamento natural da mente, o desfazer do pensamento discursivo. Até que venhamos a vivenciar a liberdade nesse sentido interno, nossa prática do Darma não será muito eficaz, porque estaremos perpetuamente distraídos por pensamentos e conceitos.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 12.

A Inseparabilidade da nossa Mente e da Mente do Lama

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“A essência da prática chamada de guru ioga é nos apoiarmos em um professor para alcançarmos a liberação. Guru é o termo em sânscrito para lama, ou mestre espiritual. […] Por meio da guru ioga, a realização que o lama possui da natureza pura da mente desponta como realização em nosso fluxo mental.

A compreensão na guru ioga de que o lama é a união de todas as fontes de refúgio apressa nosso progresso no caminho. […]

O lama corporifica as Três Joias, que são o Buda, o Darma e a Sangha; as Três Raízes, que são o lama, o yidam e a dakini; a deidade da prosperidade; os protetores do Darma e os três kayas.

[…] Embora não tenhamos carma para ter recebido ensinamentos diretamente de Buda Shakiamuni, o lama fala como Buda teria falado e utiliza meios para nos guiar que Buda teria utilizado.

Recebemos as bênçãos do lama de forma direta por meio de iniciações, instruções e orientação para nossa prática. O lama nos apresenta ao fato de que a existência cíclica é uma estado de sofrimento, à necessidade de buscarmos liberação desse sofrimento e aos meios para isso.

Após ouvir e aplicar os ensinamentos do lama, começamos a experimentar um espírito de renúncia: nos afastamos de pensamentos e de ações contraproducentes ao desenvolvimento espiritual e cultivamos aqueles que são frutíferos. Onde havia ignorância, agora há alguma compreensão. Onde havia apenas mente comum conceitual, agora experimentamos a sabedoria. Nossos interesses autocentrados, sempre presentes, bem como os venenos da mente, lentamente diminuem, e a capacidade de lidar com eles aumenta. Nossa percepção do mundo começa a mudar. Essas são todas bênçãos do lama.

[…] Ao nos amadurecer por meio de iniciações, ao nos liberar por meio de ensinamentos e ao sustentar nossa prática com bênçãos e inspiração, o lama nos capacita a vivenciar diretamente a verdadeira natureza da mente.

[…] Compreendemos que, por meio da compaixão, da realização e das bênçãos do lama, bem como da fé, devoção e desejo de emular essas qualidades, teremos a experiência da inseparabilidade da nossa mente e da mente do lama.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 21.

A Prática da Meditação no Cotidiano

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“Na prática da meditação no cotidiano, trabalhamos com dois aspectos da mente: sua capacidade de raciocinar e conceitualizar – o intelecto – e a qualidade que está além do pensamento – a natureza não conceitual e ilimitada da mente. Utilizando a faculdade racional, você contempla. Depois deixe a mente repousar. Pense, e então relaxe; contemple, e então relaxe. Não use um ou outro exclusivamente, mas os dois juntos, como as asas de um pássaro.

Isso não é algo a ser feito apenas quando você está sentado em uma almofada. Você pode meditar assim em qualquer lugar – enquanto guia o carro, enquanto trabalha. Não há necessidade de objetos especiais nem de um ambiente especial. Essa meditação pode ser praticada em todas as circunstâncias da vida.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 5.

As raízes da felicidade e do sofrimento

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“Onde quer que vivamos, seja qual for a nossa cor, cultura ou religião, todos queremos evitar o sofrimento e encontrar uma fonte estável de contentamento e satisfação. Dentre os vários reinos da experiência, o reino humano oferece a maior oportunidade para a realização deste desejo. Como seres humanos, podemos operar mudanças utilizando a mente. Ao contrário dos animais, temos o dom de entender conceitos complexos. Podemos contemplar o que ouvimos ou lemos e validar ou refutar esses conceitos, agindo de acordo com nossas convicções, não com uma fé cega, mas após exame e análise detalhados. Por isso, este corpo humano, junto com a mente, constitui um veículo único e precioso que tem o potencial de nos levar além de todo o sofrimento ainda nesta vida.

Por que, então, não conseguimos evitar o sofrimento ou manter os momentos fugazes de felicidade? Por não sabermos o que evitar e o que aceitar na busca pela felicidade duradoura. A motivação autocentrada nos leva a agir de um modo que apenas produz mais sofrimento, e que obscurece ainda mais as verdadeiras fontes de felicidade. A nossa tendência é de nos concentrarmos naquilo que não temos – nossa lista de desejos – e de nos fixarmos em dificuldades que são superáveis. Essa insatisfação nos cega para nossas qualidades inerentes e impede que as usemos para beneficiar nós e os outros. É como alguém que, tentando ficar mais saudável, tomasse veneno por engano, adoecesse e morresse; voltasse a vida no dia seguinte tomasse o mesmo veneno, adoecesse e morresse, repetindo o processo infinitamente. Essa é a situação em que todos os seres humanos se encontram.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 10, Ed. Makara.

Vida Humana Preciosa

Nós, seres humanos, temos a constituição física e mental perfeita para mudarmos a mente comum e revelarmos a sua verdadeira natureza; temos liberdade suficiente para determinarmos a direção da nossa existência e acesso aos métodos para transcender completamente o sofrimento. Nessa vida humana preciosa, podemos usar nosso corpo, fala e mente de forma negativa para causar mal a nós mesmos e aos outros; de forma positiva, para aumentar nossas nossas boas qualidades e, assim, criar mais benefícios; ou, em última instância, podemos usá-los para encontrar a felicidade duradoura, além das experiências fugazes, instáveis e cíclicas de prazer e dor dentro do samsara.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 12, Ed. Makara.

Desejos superficiais e extraordinários

“Até agora nossos desejos tenderam a ser muito superficiais, egoístas e imediatistas. Se tivermos que querer algo, então que seja nada menos do que a completa iluminação de todos os seres. Eis aí algo digno de ser desejado. Recordarmo-nos sempre do que verdadeiramente vale a pena querer é um importante elemento da prática espiritual.

Desejo e apego não mudam da noite para o dia. O desejo, porém, torna-se menos comum à medida que redirecionamos nossos anseios mundanos para a aspiração de fazer tudo o que está ao nosso alcance para ajudar todos os seres a encontrar felicidade permanente.

Não temos que abandonar os objetos habituais dos nossos desejos — relacionamentos, riqueza, fama — mas, na medida em que contemplamos sua impermanência, ficamos menos apegados a eles. Se temos a atitude de nos regozijar com a nossa sorte quando eles aparecem e, ao mesmo tempo, reconhecermos que não irão durar, começamos a desenvolver qualidades espirituais. Cometemos, em menor número, os atos nocivos que resultam do apego e, assim, criamos menos carma negativo; geramos mais carma favorável, aumentando gradativamente as qualidades positivas da mente.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”.