Arquivo diário: 12 de agosto de 2018

As raízes da felicidade e do sofrimento

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“Onde quer que vivamos, seja qual for a nossa cor, cultura ou religião, todos queremos evitar o sofrimento e encontrar uma fonte estável de contentamento e satisfação. Dentre os vários reinos da experiência, o reino humano oferece a maior oportunidade para a realização deste desejo. Como seres humanos, podemos operar mudanças utilizando a mente. Ao contrário dos animais, temos o dom de entender conceitos complexos. Podemos contemplar o que ouvimos ou lemos e validar ou refutar esses conceitos, agindo de acordo com nossas convicções, não com uma fé cega, mas após exame e análise detalhados. Por isso, este corpo humano, junto com a mente, constitui um veículo único e precioso que tem o potencial de nos levar além de todo o sofrimento ainda nesta vida.

Por que, então, não conseguimos evitar o sofrimento ou manter os momentos fugazes de felicidade? Por não sabermos o que evitar e o que aceitar na busca pela felicidade duradoura. A motivação autocentrada nos leva a agir de um modo que apenas produz mais sofrimento, e que obscurece ainda mais as verdadeiras fontes de felicidade. A nossa tendência é de nos concentrarmos naquilo que não temos – nossa lista de desejos – e de nos fixarmos em dificuldades que são superáveis. Essa insatisfação nos cega para nossas qualidades inerentes e impede que as usemos para beneficiar nós e os outros. É como alguém que, tentando ficar mais saudável, tomasse veneno por engano, adoecesse e morresse; voltasse a vida no dia seguinte tomasse o mesmo veneno, adoecesse e morresse, repetindo o processo infinitamente. Essa é a situação em que todos os seres humanos se encontram.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 10, Ed. Makara.

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