Arquivo mensal: agosto 2018

Pergunta e Resposta

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PERGUNTA: Se alguém que viveu uma vida virtuosa sofre um acidente e passa por grandes dificuldades, é difícil ver esse infortúnio como sendo resultado de uma ação negativa que a pessoa cometeu 500 mil vidas atrás. Não me parece justo.

RESPOSTA: Se plantarmos arroz, trigo e cevada indiscriminadamente em um campo, não poderemos nos queixar sobre a mistura confusa de grãos na hora da colheita. Se não queríamos isso, não deveríamos ter plantado dessa forma. Sempre que se planta uma semente, o resultado é inevitável. Portanto, em vez de nos aborrecermos no momento da colheita, precisamos aprender a ser mais cuidadosos durante o plantio.

Em uma vida anterior, cometemos a ação negativa que nos trouxe o sofrimento presente. Não adianta nada chorar agora, reivindicando que o que está acontecendo não é justo. O importante é praticarmos ações que produzam resultados favoráveis e não ficarmos fixados nos resultados inevitáveis de ações negativas anteriores.

Nossas ações passadas não são apenas a razão de nosso sofrimento, mas também de nossa felicidade. O problema é que queremos apenas o desenrolar do carma positivo. Entretanto, se desejamos o amadurecimento de bons frutos, precisamos plantar boas sementes.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

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Lama Tsering: Ajustando nossa mente

Realizar a natureza da nossa própria mente, essa é a base do caminho espiritual.
Lama Tsering é professora do budismo Vajrayana, lama residente do templo Chagdud Gonpa Odsal Ling em Cotia/SP.

As raízes da felicidade e do sofrimento

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“Onde quer que vivamos, seja qual for a nossa cor, cultura ou religião, todos queremos evitar o sofrimento e encontrar uma fonte estável de contentamento e satisfação. Dentre os vários reinos da experiência, o reino humano oferece a maior oportunidade para a realização deste desejo. Como seres humanos, podemos operar mudanças utilizando a mente. Ao contrário dos animais, temos o dom de entender conceitos complexos. Podemos contemplar o que ouvimos ou lemos e validar ou refutar esses conceitos, agindo de acordo com nossas convicções, não com uma fé cega, mas após exame e análise detalhados. Por isso, este corpo humano, junto com a mente, constitui um veículo único e precioso que tem o potencial de nos levar além de todo o sofrimento ainda nesta vida.

Por que, então, não conseguimos evitar o sofrimento ou manter os momentos fugazes de felicidade? Por não sabermos o que evitar e o que aceitar na busca pela felicidade duradoura. A motivação autocentrada nos leva a agir de um modo que apenas produz mais sofrimento, e que obscurece ainda mais as verdadeiras fontes de felicidade. A nossa tendência é de nos concentrarmos naquilo que não temos – nossa lista de desejos – e de nos fixarmos em dificuldades que são superáveis. Essa insatisfação nos cega para nossas qualidades inerentes e impede que as usemos para beneficiar nós e os outros. É como alguém que, tentando ficar mais saudável, tomasse veneno por engano, adoecesse e morresse; voltasse a vida no dia seguinte tomasse o mesmo veneno, adoecesse e morresse, repetindo o processo infinitamente. Essa é a situação em que todos os seres humanos se encontram.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Para Abrir o Coração”, cap. 10, Ed. Makara.