Arquivo diário: 12 de julho de 2017

Fechando a Porta da Desvirtude

A mente é como um campo fértil – coisas de todos os tipos podem crescer nela. Quando plantamos uma semente – um ato, uma palavra ou um pensamento – em um dado momento será produzido um fruto que irá amadurecer e cair na terra, perpetuando e incrementando aquela mesma espécie. Momento a momento, com nosso corpo, fala e mente, plantamos sementes potentes de causalidade. Quando as condições adequadas para o amadurecimento do nosso carma se reúnem, teremos de lidar com as consequências daquilo que plantamos.

Embora sejamos responsáveis por aquilo que semeamos, esquecemos que lançamos aquelas sementes e, quando amadurecem, damos crédito ou culpamos pessoas ou coisas externas pelo acontecido. Somos como uma ave pousada sobre uma rocha, que consegue ver sua sombra, mas que, quando voa, esquece-se de que a sombra existe. A cada vez que pousa, a ave pensa que encontrou uma sombra completamente nova. No momento, pensamos, falamos ou agimos. Mas perdemos de vista o fato de que cada pensamento, palavra ou ação produzirá um resultado. Quando o fruto finalmente amadurece, pensamos: “Por que isto aconteceu comigo? Não fiz nada para merecer isto”.

(…)

Para encontrarmos a liberação do samsara, precisamos trabalhar no nível das causas, não no nível dos resultados – o prazer e a dor que aparecem como consequência do nosso comportamento. Para fazer isso, precisamos purificar nossos erros passados e modificar a mente que planta as sementes do sofrimento. Precisamos purificar os venenos mentais que perpetuam o carma infindável. Esse processo é chamado de “fechar a porta da desvirtude”, ou seja, evitar consequências cármicas tomando medidas preventivas, não dando mais vazão às faltas da mente por meio das ações.

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

Anúncios