Dica de Leitura

Para Abrir o Coração: treinamento budista para a paz, de Chagdud Tulku Rinpoche (Editora Makara, 2013, 3ª ed.)

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Ao confrontar diretamente os dilemas e as incertezas que acometem as pessoas no mundo atual, Chagdud Rinpoche demonstra como qualquer pessoa pode seguir este treinamento e utilizar os seus métodos para descobrir a paz interior e despertar bom coração e, assim, viver no mundo de uma maneira que beneficie todos os que estão à sua volta.

Leia um trecho do livro:

“Passei por muitas dificuldades, mas em consequência do meu treinamento e prática, nenhuma delas foi esmagadora. Conheço pessoalmente o poder das bênçãos do lama e como a contemplação e meditação podem ser benéficas quando lidamos com as circunstâncias da vida. Quando era mais jovem, toda vez que recebia um ensinamento, eu revia o material vinte e cinco vezes naquele mesmo dia. Hoje, às vezes, esqueço os nomes dos meus familiares, mas nunca esquecerei os ensinamentos, por estarem tão firmemente impressos em minha mente.

Não importa quantos anos de vida eu tenha pela frente, estou em paz com o fato de que vou morrer. A morte não me amedronta, pois tenho confiança em minha prática espiritual e tenho tentado ajudar os outros o quanto posso. Sei, por experiência própria, que esses ensinamentos beneficiarão quem quer que os aplique, não apenas nesta vida, mas no momento da morte e em vidas futuras.

Do fundo do coração, eu lhe digo: um momento de bondade para com um outro ser ou um ato com intenção pura valerão mais do que toda a riqueza do mundo na hora da morte. Portanto, pratiquem agora, enquanto podem, da maneira mais ampla possível em cada situação. Isso realizará o propósito supremo de suas vidas e, na hora da morte, você não sentirá remorso.” (pág. 289)

Fonte: Editora Makara.

 

Práticas com Lama Yeshe e Lama Rigdzin em Florianópolis

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Com alegria, comunicamos a programação das atividades com Lama Yeshe e Lama Rigdzin no final de semana dos dias 24 e 25/09:


Sábado (24/09)

14:30h – Ngondro (PARA AQUELES JÁ ENGAJADOS NESTA PRÁTICA OU QUE DESEJAM INICIAR)
18:00h – Prática semanal de Tara, Amitaba e Sur


Domingo (25/09)

17:00h – Prática de Buda da Medicina (PRÁTICA ABERTA)
18:00h – Ensinamentos introdutórios ao budismo (PRÁTICA ABERTA)
19:00h – Prática de Tara Vermelha (PRÁTICA ABERTA)

Contribuição sugerida:

Evento completo: R$ 60,00 ( R$ 50,00 para quem faz contribuição mensal regular)
Só sábado ou só domingo: R$ 40,00 ( R$ 30,00 para quem faz contribuição mensal regular)

Chagdud Gonpa Rigdjed Ling – Centro Budista Tibetano Vajraiana

Rua Laurindo Januário da Silveira, 5110 – Canto da Lagoa, Florianópolis – SC, 88062-201

Mais informações: http://rigdjed.org/

Fonte: https://www.facebook.com/events/1809062996006133/

Meditação: colocando a filosofia budista em ação

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Por Lama Tsering Everest

Há alguns anos, uma aluna brasileira de Chagdud Tulku Rinpoche ficou surpresa ao ouvir de um professor universitário que tudo de ruim que acontecia no mundo era resultado da Religião, e que tudo de bom era resultado da Filosofia. Na época, tivemos muita sorte porque Rinpoche estava no Brasil e pudemos perguntar a ele sobre isso.

“Religião nunca trouxe problema ao mundo”, respondeu Rinpoche. “As pessoas é que trouxeram.” E acrescentou: “As pessoas causam tantos problemas porque têm uma visão corrompida da realidade e geralmente acreditam que o que pensam é mais certo do que o que os outros pensam”.

Rinpoche nos explicou, de forma direta e clara, que Filosofia são as ideias ou a doutrina por trás da Religião. Explicou também que Religião é a implementação dessas ideias na prática, ou seja, o papel da Religião é o de integrar as ideias à vida prática, com uma perspectiva sagrada, com reverência.

A meditação é um dos exemplos de implementação da filosofia budista pela via religiosa –e, para compreendê-la um pouco melhor, temos que avançar passo a passo, já que a filosofia budista é muito profunda (eu mesma a estudo há 25 anos, e me considero apenas uma iniciante –de verdade).

Podemos começar conhecendo as três categorias básicas de caminho, ensinadas por Buda Shakyamuni, para três categorias básicas de pessoas:

  • Caminho da autoliberação (Hinayana): é a primeira categoria, destinada às pessoas que buscam se libertar da ilusão e do sofrimento;
  • Caminho do Grande Veículo (Mahayana): categoria das pessoas que querem se libertar da ilusão e do sofrimento para ajudar os demais;
  • Caminho do Veículo do Diamante (Vajrayana): esse é um braço da segunda categoria, destinado às pessoas capazes e dispostas a usar métodos extraordinários em conjunto com aspirações não-egoístas de ajudar os demais.

Essa terceira categoria é a que praticamos aqui no Odsal Ling. Motivados pela inclusão amorosa dos outros e pela necessidade de ajudar aos demais, ouvimos os ensinamentos, contemplamos os significados e os aplicamos em nós mesmos, a fim de expor as grandes qualidades da nossa mente. Tudo isso com o objetivo de ajudar os outros –tanto de uma forma imediata como de uma forma mais grandiosa e absoluta.

Dentro do Budismo Vajrayana, existem três pontos inter-relacionados que precisam ser muito bem desenvolvidos: a Visão, a Meditação e a Ação. Qualquer um que esteja praticando, precisa estar bem versado na Visão, que é o ponto inicial. A Meditação, o segundo ponto, é o exercício da Visão. E finalmente precisa desenvolver a Ação, que é a implementação prática da Meditação. Em última análise, a Ação é a implementação da Visão.

A fim de pôr esses conceitos em prática corretamente, você precisa cultivar motivação pura. Ter uma motivação pura é requisito básico para ouvir os ensinamentos e entender que, sem ter acesso à natureza da mente iluminada, você e todos os seres ficam impotentes, frágeis e subjugados a seus próprios sofrimentos.
Mente iluminada não é algo que você possa comprar ou que possa fazer. É algo que existe e é verdadeiro: é a natureza absoluta da nossa mente.

Nossas ideias sobre nós mesmos e sobre os outros não são reais: são apenas nossos julgamentos, a partir de nossa falta de real compreensão. Neste mundo que consideramos ser real, agimos e reagimos de acordo com esses julgamentos e perpetuamos mais erros –e este é o motivo pelo qual nós e todos os outros sofremos.

Nesta perspectiva confusa, encontramos justificativas para nossos maus hábitos e ações prejudiciais em relação às outras pessoas. E então criamos carma e, logo, lá estamos nós, como vítimas da dor –e, nem ao menos percebemos, que essa dor foi criada por nós mesmos.

Somos nós quem criamos essa relação de ferir e ser ferido e ficamos com a sensação de termos sido machucados e feridos por alguém, independente e diferente de nós mesmos. Cabe a nós mesmos interromper esse ciclo –e fazemos isso com motivação pura, com compaixão e com a compreensão correta, desenvolvidas com Visão, Meditação e Ação.

Fonte: Odsal Ling.

Prática com Lama Yeshe em Florianópolis

No próximo fim de semana, a Lama Yeshe estará no Rigdjed Ling em Florianópolis, com a seguinte programação:

Sábado  – 27/08/16

14:30h – Ngondro (para os que já estão praticando ou que desejam iniciar)

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Domingo  – 28/08/16

16h – Buda da Medicina (prática aberta)
18h – Ensinamentos introdutórios
19h – Prática de Tara
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Contribuição para o fim de semana: 50 reais (40 reais para os que fazem contribuição mensal regular);
Apenas domingo: 40 reais.
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Toda a contribuição para o fim de semana é dada como oferenda aos Lamas ao final do evento.
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Mais informações: http://www.rigdjed.org
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*Possam todos os seres se beneficiar.*

Motivação Altruísta

“A motivação altruísta pode gerar um carma positivo exaurível ou inexaurível. Criamos carma exaurível quando nossa motivação é beneficiar os outros, mas o nosso quadro de referência continua sendo a curto prazo. Por exemplo, podemos dar de comer a uma pessoa que tenha fome ou cuidar de alguém doente, mas nossa meta continua sendo temporária – não a de ajudar aquela pessoa e todos os demais seres a despertar dos ciclos de sofrimento. Consequentemente, a felicidade que resultará da nossa ação virtuosa será temporária e terminará quando o bom carma que tivermos criado com aquela ação se exaurir. Ele não levará a libertação do samsara.

Quando uma ação é praticada com a intenção de que uma determinada pessoa, bem como todos os demais seres, não só encontrem felicidade temporária, como também acordem da existência cíclica, ela produz carma positivo inexaurível. Esse carma leva não apenas à felicidade nos reinos superiores de existência; em termos últimos, leva à iluminação.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

 

 

Pensar não traz iluminação: relaxe sua mente

Por Lama Tsering Everest

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A realidade é algo que, costumeiramente, vai ficando cada vez mais distante de nós, devido aos nossos apegos, desejos e visões distorcidas. Para poder compreender um pouco melhor a realidade da vida e enxergar além das aparências, precisamos contemplar os ensinamentos.

Devemos nos lembrar, no entanto, que apenas compreender racionalmente não é o suficiente. Compreender é impermanente: você pode se esquecer facilmente do que aprendeu ou até mesmo compreender errado.

A compreensão deve, então, ser equilibrada com o relaxamento da mente. Você usa seu intelecto -ouvindo, contemplando, questionando, compreendendo os ensinamentos. E, logo depois, você deixa os pensamentos irem embora. Você abre mão deles, porque eles não são o bastante: eles ainda não são a realidade absoluta da sua mente.

Existem no mundo grandes pensadores, maiores do que eu e você, mas eles não atingiram a iluminação. Pensar não vai trazer iluminação.

Mas se você cultivar a compreensão clara e relaxar sua mente –relaxar toda sua subjetividade e todo seu apego à fachada do eu, e à projeção desse eu como o outro- conseguirá experimentar a natureza não-dividida do estado desperto.

Use métodos para fazer sua contemplação e relaxamento. Algumas vezes, você pode, depois de contemplar, gritar ou se mexer, fazer um mudra, ou apenas não fazer nada.

Então você deve contemplar e relaxar novamente, várias vezes. É como uma gangorra, que varia de um lado para o outro.

Na verdade, o que importa é o ponto focal, o ponto de equilíbrio dessa gangorra. Se você pensar na gangorra, por exemplo, vai perceber que ela nem existe: é apenas uma tábua apoiada em uma base.

Ao atingirmos a compreensão desse ponto focal, de equilíbrio, percebemos que contemplação e relaxamento são a mesma coisa. Intelecto e essência não são diferentes. Quando conseguimos atingir esse nível, podemos considerar que nossa meditação está indo muito bem.

E então, quando conseguimos absorver a realidade, é hora de praticar a grande quebra de paradigma que o Budismo Vajrayana propõe: nos voltamos para o sofrimento das outras pessoas. É um exercício mental usado para cultivar a compaixão –que significa querer que o sofrimento do outro cesse.

Este é um processo tremendo nesse caminho para realizar a natureza iluminada da mente. Basicamente, o que ocorre é que colocamos mais ênfase nos problemas dos outros do que nos nossos, de modo a ajudá-los de maneira amorosa e compassiva.

E relaxamos nossa mente, aceitando que não temos todas as respostas para suprir as necessidades dos outros. E, então, nos voltamos para os budas e rezamos.

Rezar é um processo interessante que fazemos com nossa mente. Não pense que estamos rezando para alguém separado de nós mesmos, alguém no céu, sentado no trono, envolto por nuvens. No caso do Budismo, rezar significa voltar a nossa mente em direção à perfeição, à essência, à não-limitação, ao amor e compaixão indivisíveis e estado desperto que é sabedoria –e que sempre esteve presente.

Rinpoche comparava a oração ao sol: o sol brilha, não importa o que aconteça. Se você vive no fundo de um poço, você terá pouca luz e poderá ficar bravo porque o sol brilha pouco para você. Mas isso não é culpa do sol. Ele brilha igualmente para todos. Nós é que vivemos dentro do poço. Rezar é sair de dentro do poço e ficar exposto à luz do sol, que está lá, brilhando. O que muda é que, ao rezar, você se expõe a esse brilho, você fica mais disponível para receber os raios desse sol.

A perfeição não tem preconceitos. Não é algo que você tem que ganhar, que merecer ou conquistar. É algo que você tem que notar.

Fonte: Odsal Ling.

Dica de Leitura

O Caminho Budista: uma breve introdução, de Chagdud Tulku Rinpoche (Ed. Makara, 2014, reimpressão).

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Isto não é somente um curto relato sobre a história da vida de Buda ou a um aglomerado de informações sobre as diferentes tradições budistas. O livro, além de esclarecer pontos fundamentais do budismo, também nos inspira a aplicar a sabedoria milenar de Buda em nosso cotidiano.

Fonte: Editora Makara.