Prática com Lama Yeshe em Florianópolis

No próximo fim de semana, a Lama Yeshe estará no Rigdjed Ling em Florianópolis, com a seguinte programação:

Sábado  – 27/08/16

14:30h – Ngondro (para os que já estão praticando ou que desejam iniciar)

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Domingo  – 28/08/16

16h – Buda da Medicina (prática aberta)
18h – Ensinamentos introdutórios
19h – Prática de Tara
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Contribuição para o fim de semana: 50 reais (40 reais para os que fazem contribuição mensal regular);
Apenas domingo: 40 reais.
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Toda a contribuição para o fim de semana é dada como oferenda aos Lamas ao final do evento.
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Mais informações: http://www.rigdjed.org
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*Possam todos os seres se beneficiar.*

Motivação Altruísta

“A motivação altruísta pode gerar um carma positivo exaurível ou inexaurível. Criamos carma exaurível quando nossa motivação é beneficiar os outros, mas o nosso quadro de referência continua sendo a curto prazo. Por exemplo, podemos dar de comer a uma pessoa que tenha fome ou cuidar de alguém doente, mas nossa meta continua sendo temporária – não a de ajudar aquela pessoa e todos os demais seres a despertar dos ciclos de sofrimento. Consequentemente, a felicidade que resultará da nossa ação virtuosa será temporária e terminará quando o bom carma que tivermos criado com aquela ação se exaurir. Ele não levará a libertação do samsara.

Quando uma ação é praticada com a intenção de que uma determinada pessoa, bem como todos os demais seres, não só encontrem felicidade temporária, como também acordem da existência cíclica, ela produz carma positivo inexaurível. Esse carma leva não apenas à felicidade nos reinos superiores de existência; em termos últimos, leva à iluminação.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 10.

 

 

Pensar não traz iluminação: relaxe sua mente

Por Lama Tsering Everest

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A realidade é algo que, costumeiramente, vai ficando cada vez mais distante de nós, devido aos nossos apegos, desejos e visões distorcidas. Para poder compreender um pouco melhor a realidade da vida e enxergar além das aparências, precisamos contemplar os ensinamentos.

Devemos nos lembrar, no entanto, que apenas compreender racionalmente não é o suficiente. Compreender é impermanente: você pode se esquecer facilmente do que aprendeu ou até mesmo compreender errado.

A compreensão deve, então, ser equilibrada com o relaxamento da mente. Você usa seu intelecto -ouvindo, contemplando, questionando, compreendendo os ensinamentos. E, logo depois, você deixa os pensamentos irem embora. Você abre mão deles, porque eles não são o bastante: eles ainda não são a realidade absoluta da sua mente.

Existem no mundo grandes pensadores, maiores do que eu e você, mas eles não atingiram a iluminação. Pensar não vai trazer iluminação.

Mas se você cultivar a compreensão clara e relaxar sua mente –relaxar toda sua subjetividade e todo seu apego à fachada do eu, e à projeção desse eu como o outro- conseguirá experimentar a natureza não-dividida do estado desperto.

Use métodos para fazer sua contemplação e relaxamento. Algumas vezes, você pode, depois de contemplar, gritar ou se mexer, fazer um mudra, ou apenas não fazer nada.

Então você deve contemplar e relaxar novamente, várias vezes. É como uma gangorra, que varia de um lado para o outro.

Na verdade, o que importa é o ponto focal, o ponto de equilíbrio dessa gangorra. Se você pensar na gangorra, por exemplo, vai perceber que ela nem existe: é apenas uma tábua apoiada em uma base.

Ao atingirmos a compreensão desse ponto focal, de equilíbrio, percebemos que contemplação e relaxamento são a mesma coisa. Intelecto e essência não são diferentes. Quando conseguimos atingir esse nível, podemos considerar que nossa meditação está indo muito bem.

E então, quando conseguimos absorver a realidade, é hora de praticar a grande quebra de paradigma que o Budismo Vajrayana propõe: nos voltamos para o sofrimento das outras pessoas. É um exercício mental usado para cultivar a compaixão –que significa querer que o sofrimento do outro cesse.

Este é um processo tremendo nesse caminho para realizar a natureza iluminada da mente. Basicamente, o que ocorre é que colocamos mais ênfase nos problemas dos outros do que nos nossos, de modo a ajudá-los de maneira amorosa e compassiva.

E relaxamos nossa mente, aceitando que não temos todas as respostas para suprir as necessidades dos outros. E, então, nos voltamos para os budas e rezamos.

Rezar é um processo interessante que fazemos com nossa mente. Não pense que estamos rezando para alguém separado de nós mesmos, alguém no céu, sentado no trono, envolto por nuvens. No caso do Budismo, rezar significa voltar a nossa mente em direção à perfeição, à essência, à não-limitação, ao amor e compaixão indivisíveis e estado desperto que é sabedoria –e que sempre esteve presente.

Rinpoche comparava a oração ao sol: o sol brilha, não importa o que aconteça. Se você vive no fundo de um poço, você terá pouca luz e poderá ficar bravo porque o sol brilha pouco para você. Mas isso não é culpa do sol. Ele brilha igualmente para todos. Nós é que vivemos dentro do poço. Rezar é sair de dentro do poço e ficar exposto à luz do sol, que está lá, brilhando. O que muda é que, ao rezar, você se expõe a esse brilho, você fica mais disponível para receber os raios desse sol.

A perfeição não tem preconceitos. Não é algo que você tem que ganhar, que merecer ou conquistar. É algo que você tem que notar.

Fonte: Odsal Ling.

Dica de Leitura

O Caminho Budista: uma breve introdução, de Chagdud Tulku Rinpoche (Ed. Makara, 2014, reimpressão).

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Isto não é somente um curto relato sobre a história da vida de Buda ou a um aglomerado de informações sobre as diferentes tradições budistas. O livro, além de esclarecer pontos fundamentais do budismo, também nos inspira a aplicar a sabedoria milenar de Buda em nosso cotidiano.

Fonte: Editora Makara.

“Os jovens pensam que a vida será longa, e os velhos pensam que a vida terminará logo. No entanto, muitas pessoas fortes e saudáveis morrem jovens, enquanto muitos velhos, doentes e debilitados continuam vivendo dia após dia. Sem saber quando morreremos, precisamos cultivar a apreciação e aceitação do que temos enquanto temos, em vez de tentar incessantemente satisfazer nossos desejos e procurar defeitos nas experiências de vida que temos.”

– Chagdud Tulku Rinpoche

O que, de fato, é a deidade?

“A tradição do Vajrayana reúne métodos de prática externos, internos e secretos. Quando fazemos práticas externas com deidades, o que, de fato, é a deidade? Em essência, a verdade absoluta da nossa própria mente e de todas as experiências é a deidade absoluta. A deidade não é algo que inventamos, e sim manifestação espontânea da verdade absoluta, a exibição não de algo comum, mas da sabedoria. Essa é a mandala da boditchita.

A natureza de todos os seres e de todos os fenômenos é dharmata. Dentro da natureza absoluta não há distinção nem separação entre eu e outro. Tudo tem um só sabor. Todos os fenômenos surgem indissociados da natureza absoluta e nela estão contidos. Nenhuma de nossas experiências – nem os elementos, nem os fenômenos, nem sequer uma única molécula – está além da natureza absoluta, espaço básico. A natureza absoluta é verdadeira e tudo permeia.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 16.

Programação da vinda dos Lamas a Florianópolis dias 25 e 26 junho

A programação com os Lamas Yeshe e Rigdzin será a seguinte:

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Sábado

9 – 12h Prática de chuva de bênçãos – prática aberta
14 – 16:30h  Ngondro – só para quem já está fazendo esta prática ou tem interesse em iniciar

Domingo

 
14 – 15:30h Sur (versão de Jigme Lingpa – o texto estará disponível a todos) – prática aberta
 
18h – Ensinamentos introdutórios
Além destas práticas especiais com a presença dos Lamas, estaremos mantendo as seguintes práticas regulares:
Sábado
18h – Prática semanal do sábado – Tara longa, Amitaba e Sur
Domingo
16h – Prática mensal de dakini gancho de lótus (exige iniciação)
17h – Prática mensal de Buda da Medicina (prática aberta)
 19h – Prática semanal de Tara
 
Faremos o sorteio da rifa da tanka na prática das 19 horas.
Contribuição sugerida para participação: 
Sábado (manhã e ngondro): 40 reais;
Domingo de tarde (sur e ensinamentos) 14h: 40 reais;
Domingo (apenas ensinamentos) 18h:  30 reais;
Evento completo: 70 reais (60 para quem faz contribuição mensal regular).
* as práticas regulares, semanais e mensais, abertas são sempre gratuitas*
Informações:
Chagdud Gonpa Rigdjed Ling – Centro de Prática do Budismo Tibetano Vajraiana
Rua Laurindo Januário da Silveira, 5110 – Canto da Lagoa, Florianópolis – SC, 88062-201

O Poder da Paz

Por S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche

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É meu desejo que o poder espiritual da paz toque cada pessoa na Terra, irradiando de uma paz profunda em nossa mente, atravessando as fronteiras políticas e religiosas, e indo além das fronteiras do ego e da convicção de sermos os donos da verdade. Nossa primeira tarefa como pacifistas é remover os conflitos internos causados pela ignorância, raiva, apego, inveja e orgulho. Com a orientação de um professor espiritual, esta purificação de nossas mentes pode nos ensinar a própria essência de promover a paz. Nós deveríamos buscar uma paz interior tão pura e estável, que seria impossível sermos levados pela raiva diante daqueles que lucram e vivem com a guerra, ou pelo autocentrismo e medo daqueles que nos confrontam com desprezo e ódio.

Uma paciência extraordinária é necessária para que trabalhemos pela paz mundial, e a fonte dessa paciência é a paz interior. Esta paz nos permite ver claramente que a guerra e o sofrimento são os reflexos externos dos venenos da mente. A diferença essencial entre os pacifistas e aqueles que promovem a guerra é que os primeiros têm disciplina e controle sobre a raiva egoísta, o apego, a inveja e o orgulho, ao passo que os outros, devido à ignorância, fazem com que esses venenos se manifestem no mundo. Se você realmente entender isto, nunca se permitirá ser derrotado interna ou externamente.

No Budismo Tibetano, o pavão é o símbolo do bodisatva, o guerreiro desperto que trabalha pela iluminação de todos os seres. É dito que o pavão se alimenta de plantas venenosas, mas transforma o veneno nas cores magníficas de suas penas, sem se intoxicar. Da mesma forma, nós, que defendemos a paz mundial, não podemos nos envenenar com a raiva. Considere com equanimidade os homens poderosos que controlam as máquinas de guerra. Faça o que puder para convencê-los da necessidade da paz, mas esteja constantemente atento ao seu estado mental. Se você ficar com raiva, recue. Se você for capaz de agir sem raiva, talvez seja capaz de transpassar a delusão terrível que perpetua a guerra e seu sofrimento infernal.

Do espaço claro da paz interior, sua compaixão deve se expandir para incluir todos os que estejam envolvidos na guerra; tanto os soldados, cuja intenção é beneficiar, mas que, ao invés disso, causam sofrimento e morte – sendo assim pegos pelo terrível carma de matar – quanto os civis que são feridos, mortos ou forçados a se exilar como refugiados. A verdadeira compaixão brota diante de qualquer tipo de sofrimento, vivido por cada ser, e não é ligada ao certo ou errado, ao apego ou à aversão.

O trabalho pela paz é um caminho espiritual em si mesmo, um meio de desenvolver as qualidades perfeitas da mente e testá-las em situações de necessidade urgente, sofrimento extremo e morte. Não tenha receio de dar-lhe seu tempo, energia e apoio.