Práticas com Lama Rigdzin em Florianópolis

Querida sanga e amigos, com alegria comunicamos que no próximo domingo, 13/11, o Lama Rigdzin (possivelmente também a Lama Yeshe) estará conosco para a seguinte programação:

Domingo – 13/11
9:00 às 12:00h e 14:00 às 17:00h Prática de Buda Akshobya (prática aberta a todos);
18:00h Ensinamentos introdutórios sobre as cinco famílias búdicas;
19:00h Prática de Tara Vermelha.

Contribuição sugerida para o domingo: 40 reais (30 reais para os que fazem contribuição mensal regular para o Chagdud Gonpa Rigdjed Ling)

Todos são bem vindos!!!

Rua Laurindo Januário da Silveira, 5110 – Canto da Lagoa, Florianópolis – SC, 88062-201

Possam todos os seres se beneficiar!

Fonte: https://www.facebook.com/events/1591867511122153/

Oito Versos que Transformam a Mente

(“Lojong Tsigyema“, escrito por Geshe Langri Tangba (1054-1123)

1.

Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma joia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2.

Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3.

Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4.

Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5.

Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6.

Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7.

Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8.

Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

Extraído do livro “The Union of Bliss and Emptiness”, de autoria do Dalai Lama, com tradução de Manoel Vidal.

As 8 preocupações mundanas são:

1. Querer ser elogiado – 2. Não querer ser criticado;
3. Querer prazer – 4. Não querer dor;
5. Querer ganhar – 6. Não querer perder;
7. Querer ser reconhecido – 8. Não querer ser ignorado.

***

Suas certezas são totalmente subjetivas – já pensou nisso?

Por Lama Tsering Everest

Resultado de imagem para lama tsering everest

1 de novembro de 2015

O que é ter sabedoria?

Vamos usar o exemplo de uma criança que tem um amigo imaginário: sabemos que esse amigo não existe, apesar de precisar um lugar à mesa, ser incluído e ter atenção. Agimos de forma generosa, sendo simpáticos e bem-humorados em relação a ele. Sabemos que a verdade desse amigo é uma verdade incidental à idade daquela criança. Assim que ela ficar um pouco mais velha, vai saber que aquele amigo era apenas sua imaginação.

Por enquanto, é difícil para aquela criança compreender que seu amigo é, na verdade, sua mente e não alguém real. Mas nós vamos tentar guiá-la, ajudando-a a crescer e a compreender, aos poucos, a diferença entre o que é verdadeiro e o que é apenas a experiência de sua mente. É essa a tarefa dos grandes mestres em relação a nós. Colocamo-nos sob orientação deles para que nos apresentem à nossa mente e para que possamos compreender a diferença entre a realidade e o que achamos ser a realidade. Nossa percepção da realidade é subjetiva, baseada no “eu” que observa. Somos sujeitos às limitações da percepção que temos sobre nossa vida. E isso não significa, de maneira alguma, que a vida seja limitada. Significa que nosso poder de detectar a vida é que está limitado. Como a criança que não entende que seu amigo não é real.

Sabedoria é ter uma experiência direta da nossa verdadeira natureza, ilimitada, com o uso da Meditação. Atualmente, a maioria de nós está carente de sabedoria. O mundo, como um todo, não funciona a partir da sabedoria. O mundo funciona a partir do ego, do desejo e da raiva –apesar da sabedoria estar sempre presente, e nunca ter se ausentado.

Este é o motivo pelo qual temos que ouvir os ensinamentos e nos aproximar de quem possui sabedoria: para que possamos aprender sobre sabedoria, praticar Meditação sobre sabedoria e, assim, expor nossa sabedoria.

Precisamos expô-la para que possamos ser sabedoria para os demais –para que eles também possam alcançar a realização da verdadeira natureza da mente.

Por não termos essa compreensão total da realidade é que os mestres, os budas e os detentores da linhagem nos ensinam. E a primeira sabedoria que expõem é que a vida é sofrimento. Podemos já ter ouvido isso antes, mas realmente permitir que isso faça parte de nossa compreensão e aplicar essa idéia em nossa vida é uma coisa completamente diferente.

Ao assistir o noticiário da TV, você vê rapidamente que a vida é sofrimento. Há alguns momentos de felicidade e há grandes dificuldades: doença, envelhecimento e morte. A felicidade, quando se apresenta, é muito bem-vinda, é claro, mas não é passível de ser mantida –é impermanente. Em nossa experiência de querer manter os acontecimentos impermanentes do mundo, como a felicidade, por exemplo, nós sofremos um bocado. Só o que queremos é ser felizes e ficamos frustrados por não conseguirmos viver em constante felicidade.

Para que meditemos, é preciso de informação. Ouvir os ensinamentos e contemplá-los. Esses ensinamentos poderão expor muitas idéias e conceitos que você pode nunca ter nem ao menos considerado, como por exemplo:

  • Você já considerou que sua percepção da vida pode ser totalmente subjetiva?
  • Como você espera entender alguma coisa sobre uma outra pessoa, a não ser aquilo que você é capaz de entender?

E mesmo assim, nós julgamos as pessoas todos os dias –as pessoas de quem gostamos e as que não gostamos. E nem percebemos que tudo é a percepção de nossa mente sobre a outra pessoa. É nossa aprovação ou desaprovação de acordo com o que nossa mente consegue compreender. Não tem nada de objetivo nesse julgamento. Conseguimos ver a realidade apenas de uma maneira subjetiva e nem nos damos conta.
Estamos presos na percepção de nossa mente. Nós só vemos aquilo que conseguimos ver –e não o que é verdade.

Outro exemplo: meu cachorro, que se chama Pao Wo, vê todas as pessoas como inimigas. Se você tentar afagá-lo, ele vai mordê-lo. Essa é a percepção que tem da realidade e ele está preso nela. Ele pode se acostumar com algumas pessoas, mas, em um dia ruim, vai mordê-las também, porque repentinamente as vê como inimigas. Essa é a percepção dele. Esse é o carma dele.

Nós somos como o Pao Wo. Somos um pouco mais sofisticados, é verdade, mas também não entendemos a verdade. Estamos presos em nosso carma.

Então temos que ouvir os ensinamentos sobre a verdade. E esses ensinamentos devem ser aplicados à nossa própria mente. Como poderíamos compreender a realidade se não compreendemos nem a nossa própria mente?
Você aplica, então, esses ensinamentos à sua própria mente e depois os contempla: você, diligentemente, põe seu cérebro para funcionar. Ao pensar nos ensinamentos, você terá dúvidas, e ao perguntar ao professor e obter as respostas, você poderá compreender a realidade de uma forma mais ampla.

Fonte: Odasl Ling.

“Às vezes, quando começam a fazer meditação, algumas pessoas me dizem que são um caso perdido, que é impossível controlar seus pensamentos. Eu lhes asseguro que isso é um sinal de melhora. A mente delas sempre foi revolta; acontece apenas que, finalmente, elas estão notando isso. No passado, elas deixavam sua mente vagar livremente, seguindo as correntes de pensamento que surgissem, fossem quais fossem. Agora que têm maior percepção do que ocorre na mente, elas podem começar a mudar.

Você pode se queixar de que a meditação não é fácil. Mas lembre-se de que você está conduzindo sua mente como uma cavalo selvagem para dentro do curral do estado desperto. Você terá certeza de que a prática está dando resultado se não estiver mais tão dominado por emoções e confusão, se trouxer para todas as ações, onde quer que esteja, uma qualidade de abertura, de relaxamento e uma intenção de compaixão, permanecendo consciente dos movimentos da mente e da natureza de todas as coisas que acontecem à sua volta.”

– Chagdud Tulku Rinpoche, trecho extraído do livro “Portões da Prática Budista”, cap. 23.

Dica de Leitura

Para Abrir o Coração: treinamento budista para a paz, de Chagdud Tulku Rinpoche (Editora Makara, 2013, 3ª ed.)

abrir_coracao-280x412.jpg

Ao confrontar diretamente os dilemas e as incertezas que acometem as pessoas no mundo atual, Chagdud Rinpoche demonstra como qualquer pessoa pode seguir este treinamento e utilizar os seus métodos para descobrir a paz interior e despertar bom coração e, assim, viver no mundo de uma maneira que beneficie todos os que estão à sua volta.

Leia um trecho do livro:

“Passei por muitas dificuldades, mas em consequência do meu treinamento e prática, nenhuma delas foi esmagadora. Conheço pessoalmente o poder das bênçãos do lama e como a contemplação e meditação podem ser benéficas quando lidamos com as circunstâncias da vida. Quando era mais jovem, toda vez que recebia um ensinamento, eu revia o material vinte e cinco vezes naquele mesmo dia. Hoje, às vezes, esqueço os nomes dos meus familiares, mas nunca esquecerei os ensinamentos, por estarem tão firmemente impressos em minha mente.

Não importa quantos anos de vida eu tenha pela frente, estou em paz com o fato de que vou morrer. A morte não me amedronta, pois tenho confiança em minha prática espiritual e tenho tentado ajudar os outros o quanto posso. Sei, por experiência própria, que esses ensinamentos beneficiarão quem quer que os aplique, não apenas nesta vida, mas no momento da morte e em vidas futuras.

Do fundo do coração, eu lhe digo: um momento de bondade para com um outro ser ou um ato com intenção pura valerão mais do que toda a riqueza do mundo na hora da morte. Portanto, pratiquem agora, enquanto podem, da maneira mais ampla possível em cada situação. Isso realizará o propósito supremo de suas vidas e, na hora da morte, você não sentirá remorso.” (pág. 289)

Fonte: Editora Makara.

 

Práticas com Lama Yeshe e Lama Rigdzin em Florianópolis

https://static.wixstatic.com/media/18dcbc_a58885e9c0bf403995bc53b05a8ed4d4.jpg/v1/fill/w_300,h_282,al_c,lg_1,q_80/18dcbc_a58885e9c0bf403995bc53b05a8ed4d4.jpg

Com alegria, comunicamos a programação das atividades com Lama Yeshe e Lama Rigdzin no final de semana dos dias 24 e 25/09:


Sábado (24/09)

14:30h – Ngondro (PARA AQUELES JÁ ENGAJADOS NESTA PRÁTICA OU QUE DESEJAM INICIAR)
18:00h – Prática semanal de Tara, Amitaba e Sur


Domingo (25/09)

17:00h – Prática de Buda da Medicina (PRÁTICA ABERTA)
18:00h – Ensinamentos introdutórios ao budismo (PRÁTICA ABERTA)
19:00h – Prática de Tara Vermelha (PRÁTICA ABERTA)

Contribuição sugerida:

Evento completo: R$ 60,00 ( R$ 50,00 para quem faz contribuição mensal regular)
Só sábado ou só domingo: R$ 40,00 ( R$ 30,00 para quem faz contribuição mensal regular)

Chagdud Gonpa Rigdjed Ling – Centro Budista Tibetano Vajraiana

Rua Laurindo Januário da Silveira, 5110 – Canto da Lagoa, Florianópolis – SC, 88062-201

Mais informações: http://rigdjed.org/

Fonte: https://www.facebook.com/events/1809062996006133/

Meditação: colocando a filosofia budista em ação

ctr-on-bench

Por Lama Tsering Everest

Há alguns anos, uma aluna brasileira de Chagdud Tulku Rinpoche ficou surpresa ao ouvir de um professor universitário que tudo de ruim que acontecia no mundo era resultado da Religião, e que tudo de bom era resultado da Filosofia. Na época, tivemos muita sorte porque Rinpoche estava no Brasil e pudemos perguntar a ele sobre isso.

“Religião nunca trouxe problema ao mundo”, respondeu Rinpoche. “As pessoas é que trouxeram.” E acrescentou: “As pessoas causam tantos problemas porque têm uma visão corrompida da realidade e geralmente acreditam que o que pensam é mais certo do que o que os outros pensam”.

Rinpoche nos explicou, de forma direta e clara, que Filosofia são as ideias ou a doutrina por trás da Religião. Explicou também que Religião é a implementação dessas ideias na prática, ou seja, o papel da Religião é o de integrar as ideias à vida prática, com uma perspectiva sagrada, com reverência.

A meditação é um dos exemplos de implementação da filosofia budista pela via religiosa –e, para compreendê-la um pouco melhor, temos que avançar passo a passo, já que a filosofia budista é muito profunda (eu mesma a estudo há 25 anos, e me considero apenas uma iniciante –de verdade).

Podemos começar conhecendo as três categorias básicas de caminho, ensinadas por Buda Shakyamuni, para três categorias básicas de pessoas:

  • Caminho da autoliberação (Hinayana): é a primeira categoria, destinada às pessoas que buscam se libertar da ilusão e do sofrimento;
  • Caminho do Grande Veículo (Mahayana): categoria das pessoas que querem se libertar da ilusão e do sofrimento para ajudar os demais;
  • Caminho do Veículo do Diamante (Vajrayana): esse é um braço da segunda categoria, destinado às pessoas capazes e dispostas a usar métodos extraordinários em conjunto com aspirações não-egoístas de ajudar os demais.

Essa terceira categoria é a que praticamos aqui no Odsal Ling. Motivados pela inclusão amorosa dos outros e pela necessidade de ajudar aos demais, ouvimos os ensinamentos, contemplamos os significados e os aplicamos em nós mesmos, a fim de expor as grandes qualidades da nossa mente. Tudo isso com o objetivo de ajudar os outros –tanto de uma forma imediata como de uma forma mais grandiosa e absoluta.

Dentro do Budismo Vajrayana, existem três pontos inter-relacionados que precisam ser muito bem desenvolvidos: a Visão, a Meditação e a Ação. Qualquer um que esteja praticando, precisa estar bem versado na Visão, que é o ponto inicial. A Meditação, o segundo ponto, é o exercício da Visão. E finalmente precisa desenvolver a Ação, que é a implementação prática da Meditação. Em última análise, a Ação é a implementação da Visão.

A fim de pôr esses conceitos em prática corretamente, você precisa cultivar motivação pura. Ter uma motivação pura é requisito básico para ouvir os ensinamentos e entender que, sem ter acesso à natureza da mente iluminada, você e todos os seres ficam impotentes, frágeis e subjugados a seus próprios sofrimentos.
Mente iluminada não é algo que você possa comprar ou que possa fazer. É algo que existe e é verdadeiro: é a natureza absoluta da nossa mente.

Nossas ideias sobre nós mesmos e sobre os outros não são reais: são apenas nossos julgamentos, a partir de nossa falta de real compreensão. Neste mundo que consideramos ser real, agimos e reagimos de acordo com esses julgamentos e perpetuamos mais erros –e este é o motivo pelo qual nós e todos os outros sofremos.

Nesta perspectiva confusa, encontramos justificativas para nossos maus hábitos e ações prejudiciais em relação às outras pessoas. E então criamos carma e, logo, lá estamos nós, como vítimas da dor –e, nem ao menos percebemos, que essa dor foi criada por nós mesmos.

Somos nós quem criamos essa relação de ferir e ser ferido e ficamos com a sensação de termos sido machucados e feridos por alguém, independente e diferente de nós mesmos. Cabe a nós mesmos interromper esse ciclo –e fazemos isso com motivação pura, com compaixão e com a compreensão correta, desenvolvidas com Visão, Meditação e Ação.

Fonte: Odsal Ling.